Por uma nova polaridade

Por Sammer Siman
(Conheça aqui nosso time de colunistas)

Que a direita atue como direita é o que se espera: aparentemente contraditória, via de regra cínica e carregada de ódio, carregada de conteúdo golpista. Que a mídia empresarial atue em nome próprio, também é o que se espera: exemplo foi sua ampla e propositiva repercussão e estímulo aos atos do dia 15 de março, na medida contrária de seu esforço em combater e negativar as jornadas de junho de 2013 e seu impulso pelas mudanças.

A questão colocada no Brasil hoje revela a ausência de um projeto mudancista. O enguiço petista reside na sua fidelidade ao arranjo dominante brasileiro, que é concentrador da riqueza, ainda que em algum momento suporte alguma distribuição de renda. Não distribui a terra, ainda que conviva com o bolsa família, para ficar num exemplo.

A democracia não é um “ente abstrato”. O povo se mobiliza pelo concreto e pelo visto não há uma grande massa disposta a defender um governo que a “presenteia” com cortes, segue tratando a dívida pública que sequestra metade da riqueza nacional como um dogma e tem um banqueiro e uma latifundiária em seu comando.

O PT é um partido da ordem, e para defendê-la usará todo tipo de expediente, inclusive se juntará ao PSDB e ao PMDB numa frente política só se preciso for. Aqueles que ainda acreditam em seu “potencial de mudança” e que condenam a ausência negra nas ruas do dia 15 esquecem de dizer que o governo e seus ministérios é composto, majoritariamente, por homens brancos e ricos.

Esquecem de dizer que, ainda que muitos brasileiros e brasileiras tenham saído da miséria, o estoque de riqueza segue nas mãos de alguns, a polícia segue matando o povo pobre e preto na periferia, o controle da economia segue nas mãos das multinacionais, os bancos seguem ganhando como “nunca antes na história desse país”.

O que falta no Brasil de hoje são iniciativas que aponte para o novo. Nossos problemas são grandes por demais para serem resolvidos com uma mera reforma política que, diga-se de passagem, pelo que se tem defendido por aí não passa de uma mera reforma eleitoral. Precisamos retomar o “fio da história” rompido em 64, quando se enterrou os impulsos pela reforma agrária, urbana, tributária, universitária, dentre outras.

Mais do que as garantias formais – conquistadas na constituição de 88 – precisamos das garantias de fato. Não basta votar de quatro em quatro, é preciso ter casa, ter saúde, ter segurança, é preciso ter dignidade.

O brasilem5 é uma iniciativa que aponta para o novo. Pois é composto por um conjunto de brasileiros e de brasileiras que já não cabem na necrosada polaridade “PT x PSDB”. O Brasil é rico e inteligente demais para ficar refém de dois partidos que guardam mais semelhanças do que divergências.

Um brinde a essa iniciativa, de minha parte estarei aqui mensalmente compartilhando algumas visões que, sem a pretensão de se colocarem como verdades absolutas, são formadas a partir de uma busca incessante por um Brasil livre e soberano. Vida longa ao Brasilem5!

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