“Tá legal!”

Por Helder Gomes
(Conheça aqui nosso time de colunistas)

Podemos até acolher criticamente o argumento. Mas, não dá para aceitar a reprodução de mentiras ao povo. Querem agora que surfemos a tal onda da frente ampla progressista. O diagnóstico tem sido a necessidade de alterar a correlação de forças, embalada pela construção raivosa do ideário da austeridade fiscal. E o alvo preferido tem sido o ministro Joaquim Levy, o grande sanguinário. Será?

Parcerias de partidos com movimentos populares progressistas, sob a liderança do Lula, a única liderança popular de nosso Brasil varonil, como querem alguns. Assim seria possível retomar o projeto de uma democracia social efetiva.

Pois bem, o que fizeram o tal timoneiro e os seus seguidores desde que assumiram o governo em 2003? Iniciemos esse papo com um exemplo. Desde o início teve-se nítido que não haveria soberania para a indicação da equipe econômica. Especialmente no que tange ao controle da moeda nacional e de suas relações com o dólar. Muito menos, sobre os fluxos da especulação.

Reservas internacionais em níveis elevados impressionariam. Mas, fundamentalmente, garantiriam a credibilidade junto às agências de classificação do risco Brasil (fundo soberano utilizando reservas? Nem pensar!). Mas, também seria necessário manter um diferencial atraente entre as taxas de juros internas em relação às taxas internacionais. Juros elevados para assegurar o fluxo de dólares necessário, entre outras coisas, para cobrir deficits nas contas de juros e nas remessas de lucros e dividendos. Estas, diga-se, explodiram como resultado da desnacionalização das antigas empresas estatais e do processo de fusões e aquisições fomentadas com recursos do BNDES, via endividamento ainda maior do Tesouro Nacional a partir do governo Lula.

Assim, o problema não pode ser colocado apenas na conta do Levy. Há muito tempo o governo federal incorporou a retórica de manter elevadas as taxas de juros, justificando o controle da inflação, e isso é mentir descaradamente. E esse é só um exemplo.

Talvez, o mais prudente deva ser seguir o poeta: guiar o barco com cautela em meio ao nevoeiro. Mas, parece óbvio que não podemos abandonar a navegação ao sabor dos ventos, ou das novas forças progressistas que se esforçam em acalentar o insaciável mercado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s