PL 4330: de que lado está a CUT?

por David Gomes*, em colaboração especial para o Brasil em 5
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Quando alguns setores da esquerda disseram que não havia cenário para um golpe no Brasil, nos referíamos ao que aconteceu essa semana. Não há nenhum motivo para os donos do poder no Brasil tirarem o PT do governo.

Ora, qual o sentido de tirar do governo um partido que indica um banqueiro para cuidar da macroeconomia, a senhora da motosserra de ouro para cuidar da Agricultura, que não tem força alguma para barrar os desmandos de Renan Calheiros e Eduardo Cunha? Um governo que entregou a articulação política ao Vice-Presidente Michel Temer, como um fazendeiro que deixa a raposa cuidando do galinheiro.

E isso tudo sob a justificativa de uma fantasiosa governabilidade que serviria exatamente para evitar que acontecesse tudo o que está acontecendo: uma série de cortes nos direitos trabalhistas e previdenciários, que fazem o país retroceder ao período anterior à Era Vargas.

Não, camaradas, a Dilma não vetará este PL. É muita arrogância ou desonestidade esperar algo de positivo do governo nesse sentido. Só quem pode pressionar o governo a ponto de a presidenta pensar em veto é a CUT. Mostra-se necessária uma resposta séria da CUT, uma resposta de verdade que ultrapasse notas oficiais e atos em Brasília. A única alternativa é uma greve geral, combativa e que aponte para um recado simples e direto para Dilma: ou veta ou abandonaremos o governo.

Sim, eu sei que vocês estão pensando: não parece coerente não esperar mais nada da Dilma, mas ainda esperar da CUT. Pois é, também não acredito na CUT, mas acho que há muito mais chances de eu errar na minha análise e acontecer uma resposta positiva da CUT, que do governo.

Os governistas dirão: mas nós estamos em Brasília pressionando, inclusive com militantes sendo agredidos. As bancadas de PT e PCdoB votaram contra, inclusive fomos os únicos junto com o PSOL.

Respondo: do que adianta isso tudo se não há sinal de rompimento com o PMDB, que é o grande causador disso tudo? Soa hipocrisia colocar a militância de base na rua, com a massa que o PT ainda agrega – mais que todos os outros partidos de esquerda juntos, diga-se – enquanto do outro lado, a cada dia que passa se dá mais e mais poder ao PMDB.

Além disso, enquanto a CUT e a base petista estavam se mobilizando para barrar o PL, o Ministro Levy sentava-se com Eduardo Cunha, em nome do governo, para negociar que o projeto não prejudicasse a arrecadação do governo e nem prejudicasse o patronato aumentando os seus impostos. Isto só reforça a tese de que o governo está disposto a passar por cima da classe trabalhadora para garantir o lucro dos empresários.

Dilma e o governo já escolheram um lado, resta a CUT escolher o dela. Ou fica do lado da classe trabalhadora, convoca uma greve geral e rompe com o governo, ou fica do lado dos patrões e se joga de vez na cova que ela mesma cavou em todos esses anos de defesa e adesão aos governos petistas.

*Estudante de História da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e militante das Brigadas Populares.

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