Pra início de conversa

Por Lúcio Gregori
(Conheça aqui nosso time de colunistas)

Meio intimidado pela leitura dos ótimos textos do blog e ainda contaminado pela engenharia que estudei em que as coisas precisam de projeto para se tornarem concretudes, arrisco o texto a seguir uma espécie de pontapé inicial.

Por vezes penso que De Gaulle tinha razão ao afirmar, segundo dizem, que não somos um país sério. Por conta de sua pseudo-elite, de fato classe dominante, temos tradição nesse sentido.

O trecho final da carta de Pero Vaz Caminha pede “por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro” …

Nosso proclamador da Independência se torna , um dia, rei de Portugal.

A República foi proclamada pelo Marechal que tinha por saudação, até então, tirar o quépi e dizer: Viva o Imperador! E fomos os últimos a terminar(?) com a escravidão.

Após a derrubada da ditadura Vargas em 1945, na primeira eleição presidencial, vence o seu ex-Ministro da Guerra, general Dutra.

A transição (ela não foi derrubada, né?) da Ditadura de 1964 se faz pela posse do …ex-líder do partido de apoio à ditadura, José Sarney!

E, finalmente, quando um partido tido como de esquerda chega à Presidência da República, o faz mediante um enorme acordo com os dominantes via Carta aos Brasileiros e sua governabilidade passa pela distribuição de cargos estratégicos no governo, sem nenhum protocolo ou plataforma política.

Desde que haja uma taxa de crescimento do PIB de cerca de 4,5%, os “de cima” concordarão com a criação de programas sociais para permitir que muitos dos que estão fora do mercado de consumo, nele adentrem. Serviços públicos não são incluídos no acordo.

E chegamos ao quadro político-econômico atual. Nele é feito um “ajuste fiscal” com cortes seletivos de despesas de governo bastante incidentes em benefícios sociais, para obter uma economia inicial de 1,2% PIB. Ao mesmo tempo aumenta-se a taxa de juros o que faz crescer em 1,6% do PIB as despesas com o pagamento dos rentistas da dívida interna. Entenderam?

Assim, no Brasil certas coisas andam depressa e outras devagar ou não andam. A PEC 90 que inclui o transporte como direito social na Constituição foi aprovada pela Câmara em dezembro de 2013, ainda sob o impacto de junho de 2013. Recebe no Senado a denominação de PEC 74 que em abril de 2014 já tinha aprovação em todas as comissões. Pronta para votar, desde então dorme na gaveta do presidente do Senado.

O Ministro Gilmar Mendes está há mais de um ano está “sentado” em cima do processo de julgamento que proíbe financiamento de campanhas eleitorais por empresas e que já conta com a maioria de votos a favor no STF.

Já a PEC de maioridade penal anda rapidamente bem como a nova lei da terceirização que devasta a CLT e logo mais, a reforma política de Eduardo Cunha, a desobrigação da rotulagem dos transgênicos.

Sem um projeto realmente sério de país é difícil mudar esse quadro patético que se arrasta há centenas de anos, com pequenas exceções, como nos tempos de CSN, Petrobras, CLT.

Sem um projeto dessa natureza, como se diz em tempos atuais, ruralistas/pecuaristas, a vaca vai pro brejo ou melhor, fica no brejo! A vaca dos de baixo, é claro!

Como se habilitar para essa empreitada?

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