Existe luta além do tsunami conservador?

Por André Takahashi
(Conheça aqui nosso time de colunistas)

O quarto mandato do PT começou com um tsunami conservador que deixou os militantes de esquerda quase sem reação. Em praticamente todos os campos da vida os grupos de poder ligados à elite econômica iniciaram ataques que não conseguimos mensurar na sua totalidade. Grande parte dessa ofensiva foi alimentada pelo próprio PT que, ao assumir seu quarto mandato, passou a governar sob a agenda do candidato derrotado, aplicando medidas de ajuste que não correspondem aos anseios dos seus eleitores e de sua base social.

Tal opção, junto com uma política de comunicação desastrosa, ausência de trabalho de base e anos de contradição entre um governo que governa com a direita versus um partido que tem suas deliberações sempre deixadas para escanteio, enfraqueceu o PT como dínamo mobilizador capaz de resistir à ofensiva do novo congresso. Congresso este comandado pelo seu principal “aliado”, o PMDB, que se comporta mais como um exército mercenário, ou como um agente duplo, do que como aliado estratégico.

Atualmente, o partido e o governo encontram-se encurralados pelas investigações da Lava Jato e sob cerco cerrado da mídia hegemônica, que produz indignação seletiva promovendo os erros do PT e ocultando as maracutaias dos demais. Mais que propagar desinformação a mídia age como instrumento mobilizador, levando às ruas massas de pessoas desorganizadas que, na falta de um instrumento político adequado pela esquerda, encontram nos meios de comunicação o organizador de sua pauta e de sua ação. Para quem está de fora parece que o PT encontra-se sem estratégia, tratando apenas de sua própria sobrevivência diante dos ataques.

Com essa conjuntura, focada numa política institucional dominada por um consenso transversal conservador, quem paga o pato é o povo. Somos nós, os de baixo, que corremos o risco de sofrer os efeitos dos maiores retrocessos sociais das últimas décadas que, somados ao retrocesso ambiental patrocinado há anos por Dilma, nos dá um cenário de filme tragédia. Em meio ao bombardeio sem trégua a esquerda (governista e de oposição) tenta entender o que acontece e se reorganizar para a luta (ou para sobreviver). Fóruns, reuniões, encontros, chamados, manifestos, rachas e fusões acontecem em todo o Brasil.

Mas foi fora da institucionalidade, através da mobilização nas redes sociais e nas ruas, que tivemos nossa primeira vitória dentro do novo contexto: o recuo temporário do congresso na votação do PL 4330, o PL da terceirização que pode nos levar a era pré-Vargas. O protagonismo do MTST nessa batalha foi um indicador da importância do resgate imediato do trabalho de base; e o impacto nas redes sociais mostra o quanto a comunicação é estratégica para a resistência, especialmente na internet onde temos (por enquanto) um terreno menos monopolizado para dialogar com o povo. De imediato não vejo resposta correta de como agir para barrar o tsunami conservador, mas a médio e longo prazo o trabalho de base e as pautas de comunicação serão essenciais para virarmos o jogo.

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