O Haiti é aqui?

Por Cláudia Favaro
(Conheça aqui nosso time de colunistas)

O Brasil tem cada vez mais se firmado como um país conservador, racista imperialista e extremamente violento. São afirmações fortes quando se trata de falar do próprio país. Não trago isso aqui simplesmente por conta do ascenso conservador nas câmaras legislativas e das decisões arbitrárias promovidas por elas e pelo governo brasileiro contra os direitos já conquistados dos trabalhadores deste país. Enquanto vemos alguns países da América latina avançarem em conquistas históricas, a pauta legislativa brasileira está tomada por projetos conservadores contra índios, pobres, negros, mulheres, que representam uma grande parcela da população.

Mas é de forma mais direta que o estado brasileiro tem tido um papel ainda mais cruel e opressor, armando e fortalecendo os aparelhos repressivos do estado que tem sido usados, para reprimir a luta social e matar nossos jovens nas favelas brasileiras. Isso se fortalece também nas relações internacionais, onde Brasil tem se mostrado cada vez mais imperialista principalmente oferecendo e mantendo seu exército em uma missão internacional falida e desnecessária que vai nos gerar uma divida histórica com o povo Haitiano.

A MINUSTAH – Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, é uma força de guerra composta por soldados de diversos países que, sob liderança brasileira, ocupa há dez anos o território haitiano desde a quebra da ordem constitucional em 2004. Forçado por militares norte-americanos, o presidente democraticamente eleito foi tirado do poder por apresentar obstáculos à atuação do capital estrangeiro na ilha, que buscam se aproveitar do baixo custo com matérias-primas e mão de obra local. Este foi o segundo golpe de Estado sofrido pelo Haiti desde a redemocratização do país iniciada em 1990.

O Brasil assumiu o comando militar da operação que garantiu a consolidação do golpe e o avanço dos projetos do grande capital internacional, principalmente nas áreas de mineração, agricultura, hotelaria de luxo, e indústria têxtil. Diversos casos de violações de direitos humanos, como violações sexuais, execuções, repressões políticas, são praticados pelos soldados e vêm sendo denunciados frequentemente desde o início da operação. Isso tudo em cima de uma sociedade já castigada por séculos de exploração e marcada por fortes desastres naturais, como o terremoto de 2010.

Temos observado no Brasil um influxo crescente de imigrantes haitianos que tem despertado a atenção da sociedade brasileira sobre as condições de vida no Haiti ocupado. Os haitianos, vitimas de uma falsa imagem vendida sobre o Brasil tem se deslocado em massa para o nosso país e ao chegarem aqui se deparam com atuação de quadrilhas de tráfico de pessoas, preconceito, falta de emprego, pouco acesso à moradia, racismo e dificuldade de tirar documentos, dentre outras discriminações. Muitas vezes acabam submetidos a condições de vida degradantes, sem direitos, e forçados a aceitar relações de trabalho exploratórias, tendo sido inclusive escravizados.

Nunca houve debate no Brasil sobre a decisão de liderar a invasão militar do Haiti, assim como não houve – e não há – apoio na sociedade haitiana a esta ocupação. Não podemos aceitar que usem a experiência de violência haitiana para testar táticas e estratégias de intervenção nas favelas brasileiras, reprimindo a população como nos Complexos do Alemão e na Maré, no Rio de Janeiro, que estão igualmente ocupados pelas mesmas forças armadas. Vale lembrar que o Brasil já deve mais de R$ 1 bilhão para organismos internacionais como a UNESCO ou a UNICEF. Em tempos de crise no Brasil, com ajustes fiscais criminosos contra os trabalhadores será que os brasileiros concordariam que o governo gastasse milhões de reais anuais para manter as tropas brasileiras violando o Haiti enquanto empilha cortes de direitos aos brasileiros?

Anúncios

Um comentário sobre “O Haiti é aqui?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s