Projeto de país: o que aprender com a Coréia do Sul?

Por Lúcio Gregori

Arrisco continuar a questão de projeto de país e me lembro da Coréia do Sul. Independentemente de outras questões geopolíticas e sociais, imagine um país que após guerra interna, em 1953 tinha um PIB per capita inferior ao Sri-Lanka e atualmente tem um PIB per capita de US$42,4 mil, cerca do triplo do Brasil.

Enquanto isso fizemos acentuado retrocesso em certos setores industriais, basta lembrar que produzíamos material ferroviário em três indústrias, MAFERSA, COBRASMA e Fábrica Nacional de Vagões e hoje importamos trens de metro da…Coréia.

Além disso, desde nossa primeira indústria automobilística em 1959, não temos até hoje, praticamente, nenhum projeto de modelo efetivamente brasileiro ou indústria automotiva realmente nacional, enquanto a Coréia tem as indústrias KIA e Hyundai. Mais ainda, sua indústria configurou boa parte do desenho dos modelos contemporâneos, basta ver as lanternas traseiras e dianteiras que sofreram forte influência coreana.

Na área de informática e eletrônica possuem a LG e a Samsung e nós a Positivo, com características muito pouco significativas perto das coreanas citadas.

Assim, nossa substituição de importação se deu de maneira dependente. Os setores de ponta e os que alavancam os demais ficaram em mãos dos grandes conglomerados internacionais, com raras exceções.

“Chutando a Escada” e “Os Maus Samaritanos” são dois livros de Ha Joon Chang, economista sul coreano que organiza seminários “Rethinking Development Economics” em Cambridge, Inglaterra.

Neles o autor nos dá um relato abrangente da trajetória desse país. Claro que temos que compreender e fazer análise crítica dos descaminhos de regimes fechados e pouco democráticos  que estão nessa trajetória.

Importa aqui  é a ideia de projeto de país. Que elementos são necessários para que isso aconteça e quais os cuidados para não se sair do espectro democrático. Melhor ainda, como fazer caminhar tal projeto ao lado de uma radicalidade democrática? Com a Rede Globo? Com os “bores, étrios, evedos, vais e tantinos” (des)fazendo a cabeça de parte importante e considerável de nossa população?

Os títulos dos livros de Ha Joon Chang  fazem uma crítica ao neoliberalismo econômico e são referências aos países  neoliberais que “chutam a escada” dos emergentes para que nelas  não subam e que, diferentemente dos personagens bíblicos, são “maus samaritanos”.

A questão de um projeto de país, além de questões da superestrutura,  vai da construção de uma economia de porte e contemporânea até a resolução de problemas que geram baixa produtividade, típicos de países atrasados, como infraestrutura. Mas como disse o insuspeito diretor do BID, José Juan Ruiz ( Estadão/Economia, de 04/04/2015);  “ temos ( os países latinos) um problema muito maior, que tem um impacto mais letal, que é a infraestrutura nas cidades. Falta transporte público”. Pois é, em 2013 os jovens já disseram isso nas ruas…

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