24M na Espanha: sim, podemos!

Por Luciana Genro

O resultado das eleições municipais na Espanha neste domingo foi “uma primavera de mudança”, a continuidade de um processo que teve seu início eleitoral no ano passado, quando o Podemos surpreendeu nas eleições para o Parlamento Europeu, e que culminará nas eleições gerais deste ano, alertou Pablo Iglesias, o principal porta voz de Podemos. Foi, sem dúvida, mais um recado claro do povo contra a política de cortes e ajuste.

O PP, partido do governo (centro-direita), perdeu a maioria em grande parte das cidades, recuando 11% no total. Os partidos do poder obtiveram um dos piores resultados da sua história. O Podemos entrou em todos os parlamentos autonômicos, com resultados superiores ao Ciudadanos, agremiação centrista criada sob medida para tirar votos do Podemos. A vitória de Ada Colau na prefeitura de Barcelona é, sem dúvida, o principal fato. Ela é uma das principais lideranças da luta contra os despejos e uma representação genuína do povo que irrompeu na política desde a luta dos indignados e o 15M. “Isto é uma revolução imparável” disse ela na noite de domingo.

O povo que tomou as ruas agora quer tomar as instituições, em um processo no qual a maioria social que sofre as consequências da crise pode se tornar também maioria política. Os que gritaram nas praças “Não nos representam” agora encontram um caminho de representação. Esta vitória eleitoral só se tornou possível por que foi precedida por grandes lutas. Foi nestas batalhas, das praças e ruas, contra os cortes e os despejos, que se constituíram as lideranças que agora despontam no processo eleitoral.

É claro que o caminho não é fácil. Assim como na Grécia a Syriza sofre pressões gigantescas para abandonar a sua postura de intransigência frente à Troika e aos interesses dos mercados, na Espanha o Podemos não está livre das mesmas pressões do establishment político, da mídia e dos capitalistas.

Mas quem tem medo não vencerá jamais. E o povo espanhol está mostrando que não tem medo de arriscar uma nova política, pois a velha já deu mostras suficientes de que não tem nada para oferecer às maiorias, exceto despejos, cortes e retirada de direitos.

No Brasil não é diferente. Aqui também temos que mostrar que sim, podemos!

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