O que fazer?

Coloque-se no lugar de quem vivia o mundo às vesperas da instauração do facismo. De toda a barbaridade que aconteceria em seguida. Esperavam tais situações? Aceitavam-na como possibilidade real? E os que vivenciaram o golpe de 64 no Brasil? Já esperavam, já conviviam, já contavam com toda a tortura e repressão? As concebiam como perpsectiva real do futuro? Não falo isso com o intuito de gerar medo, aflição ou desespero.

Talvez um pouco, vai.

Mas principalmente para pensarmos que o futuro não está definido. Que não podemos esperar e crer que ele nos reserva coisas positivas sempre. Não, as coisas não vão se resolver por si só Nunca foi assim. Não passará a ser agora. A crença no desenvolvimento contínuo das ciências, do conhecimento e da democracia é uma falácia contada por conservadores. Para que eu, você e o cachorro da vovó aguardem, sentados, o fim da merda da história.

O Congresso Nacional continua dando demonstrações claras de retrocesso. De golpes à democracia. Uma reforma política que não reforma. Sequer reforma. Uma imprensa que não informa, que não critica, que não vai a fundo nas investigações, mas corrobora e auxilia os poderosos a permanecerem como estão: poderosos.

A estratégia pode não existir ainda. E o modelo partidário pode ser limitado e fadado ao fim. Isso são fatos históricos com os quais talvez tenhamos que lidar. Mas a sociedade e seus rumos continuam sendo criados e tomados por seres humanos. Ou por aglomerações de pessoas. Ou por relações entre pessoas. Ou por estruturas construídas sobre pessoas. Mas sempre com, por ou em “pessoas”. O mundo é o que fazemos dele. Por mais incrível e distante que isso pareça.

Acho que já testamos o modelo punitivista o suficiente para saber que ele não dá resultados. Desde a revolução francesa, pelo menos, a gente tenta matar o que há de ruim, o que há de moralmente inferior e…. continua a mesma merda.

Acho que já testamos o individualism típico do “do it yourself” o suficiente. Não, a sua revolução interna não resgata pessoas que sofrem do outro lado do mundo. Não, isso não é suficiente. Viva com isso. Enfrentar essa realidade, parece-me, é um passo necessário rumo ao rompimento com a consciência cristã que nos prende à dor, mas esconde a solução.

E acho que é inegável a qualquer matiz ideological minimamente coerente que as coisas não vão bem. Não tá legal, galera, é preciso assumir.

Então, o que será de nós? Quem nos salvará de nós mesmos?

Nós, claro. Negando algumas convenções sociais, aceitando que precisamos dizer mais não à exploração e sem finger que já sabemos todos os caminhos que devem ser tomados para mudarmos essa situação. A verdade é que não se sabe. Não se sabe. E isso não deve nos parar. A busca se dará nos erros, nos tropeços, nos equívocos. Porque a gente só precisa acertar uma vez. Ou algumas vezes. Dentre as milhões de tentativas. O que não podemos é parar, assistir ao que acontece como se fosse o fim, o determinado, o jeito. Levantemo-nos, olhemos no espelho, reconheçamos nossos imensos limites, mas, porra, tentemos. De forma coletiva, ampliando nossos horizontes e sempre em vista desse outro que nos contempla, nos espanta, mas nos demonstra nossas capacidades-limites. Tentemos. Sempre. Que é o que nos resta.

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