Pacote de privatizações do PT vai gerar mais dependência e desigualdade

Por Luciana Genro

Na semana passada, o governo federal do PT anunciou o novo pacote de “investimentos” em infraestrutura, PIL2, deixando cada vez mais claro a captura do partido e de seus aliados à receita econômica da direita e aos interesses do empresariado. O que o PT chama de “investimentos” são, na verdade, privatizadores, que o partido insiste em chamar de “concessões”.

A presidente Dilma Rousseff parte da hipótese de que é necessário assumir os riscos (por meio do financiamento público) das desventuras do capital privado. Nas palavras do todo-poderoso ministro da Fazenda, Joaquim Levy: “A nossa estratégia é muito clara, com uma carteira específica para cada setor. Estamos desenvolvendo mecanismos claros de risco para o investidor. Boa parte da redução passa pela redução do risco regulatório. Vamos continuar trabalhando para que o risco total do projeto se reduza. É fundamental que tenhamos mais estabilidade macroeconômica e microeconômica para que se permita que os investidores se sintam seguros”.

Percebe-se sem dificuldades qual a prioridade do PT ao desenvolver este plano: promover um crescimento baseado na “segurança” dos investidores privados para, num futuro longínquo, buscar ter políticas de redução da desigualdade social. Dos 198,4 bilhões previstos em investimentos, 69,2 bilhões de reais devem ser realizados entre 2015 e 2018 e os outros 129,2 bilhões a partir de 2019. Com sorte, feliz 2020!

O pacote que pretende salvar a economia nada mais é do que a produção de mais desigualdade e dependência, pois não ataca as verdadeiras raízes da crise. O governo prefere assegurar ao capital privado um crescimento baseado na redução do “risco regulatório”, ao invés de enfrentar o sistema da dívida pública – que consome a maior parte do orçamento da União e é um mecanismo estruturante de desigualdade social.

Rebatendo as críticas de que o governo ajusta apenas os salários e os direitos dos de baixo, enriquecendo os de cima, a resposta de Nelson Barbosa (ministro do Planejamento do governo Dilma) foi: “É o momento de construirmos as bases para o novo momento com ampliação dos ganhos sociais e para o ganho na produtividade. Com isso, poderemos crescer mais e aumentar a distribuição de renda”.

Qualquer semelhança com a famosa frase de Delfim Neto “crescer o bolo para depois dividir”, não é mera coincidência. A tese do crescimento como redutor da desigualdade já foi mil vezes derrubada, mas o governo seguirá insistindo em enxugar o gelo. “Não faltará dinheiro” para este pacote, faltará para a saúde, educação… e todas aquelas coisas que eles só lembram em época de eleição.

Da mesma forma que o ajuste fiscal não pode ser feito nas costas dos que têm menos, a indução do desenvolvimento do país não se dará a partir da entrega do patrimônio nacional à iniciativa privada. É preciso taxar as grandes fortunas – medida prevista na Constituição –, auditar a dívida pública, reajustar a tabela do Imposto de Renda e aliviar a tributação sobre salários e sobre o consumo.

A população está percebendo o colapso do PT, pois está sentindo na pele os efeitos nefastos das medidas do governo. Não é à toa que o PSOL foi o segundo partido que mais cresceu em número de filiados no último ano. Seguiremos nas ruas e nas greves demonstrando que a saída para a crise é pela esquerda!

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Um comentário sobre “Pacote de privatizações do PT vai gerar mais dependência e desigualdade

  1. Talles 17/06/2015 / 03:05

    Não só a taxação da grandes furtunas está previsto na CF/88. A auditoria da dividida pública também e até hoje nunca foi realizada. Estamos gerando dívida para pagar dívida. Segundo a LDO deste ano de 2015, o Brasil destinará 47% do orçamento para o sistema da dívida pública. Essa porcentagem em valores monetários equivale a 1trí 356 bi. Os centros quebraram em detrimento da salvação de bancos em 2008 e as periferias devido a subserviência aos mesmo é que irá salvar os centros adquirindo os derivativos que estão nos armários reservas. O Brasil está sendo colonizado novamente. Só muda o período e os agentes da história. Mas as contradições da colonização é latente.

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