Grécia: Unidade popular pelo “Não” e pela ruptura com a Troika

Por Luciana Genro

O próximo domingo, dia 5 de julho, será decisivo para a Grécia. Será neste dia que o povo grego irá decidir se aceita ou não as imposições da Troika (Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia).

O primeiro-ministro Alexis Tsipras tomou a decisão soberana e democrática de convocar um plebiscito para que toda a cidadania grega possa de manifestar a respeito do pacote de austeridade que a União Europeia deseja impor sobre o país. O governo da Syriza, a coalizão de esquerda radical, demonstra à Troika que ela não está negociando apenas com um primeiro-ministro, mas, sim, com um povo inteiro.

É muito importante apoiar o plebiscito grego e compreender a importância que o “Não” representa na luta contra uma política que busca impor aos estados um duro ajuste fiscal que piora as condições de vida do povo para salvar o sistema financeiro. Por isso reproduzo, abaixo, um artigo do professor de Teoria Política e integrante do comitê central da Syriza, Stahis Kouvelakis.

“O ponto de clivagem que nós esperávamos, que a bem da verdade começávamos a duvidar que fosse possível, ocorreu. A paródia sinistra das ‘negociações’, a espiral de recuos e das concessões foi interrompida.

O ponto de clivagem tomou a forma em torno de uma frase tão simples e óbvia quanto a clareza de uma lâmina: não ao ultimato da Troika, a palavra para o povo.

Agora torna-se possível sair da armadilha mortal que as classe dominantes da Europa tinham pacientemente construído para cortar na raíz o espírito nascido no dia 25 de janeiro, depois da vitória de Syriza.

Nesta noite, Alexis Tsipras falou a linguagem da verdade: ele enfim explicou que essas ‘negociações’ não passavam de uma farsa, um exercício constante de chantagem, que visavam humilhar o povo grego e seu governo e a pisotear o mandato popular concedido a partir das eleições do 25 de janeiro.

Esta não é a hora de balanços. Mas é impossível não notar que a decisão tomada hoje dá razão a todos aqueles que durante meses disseram não haver nenhum espaço para um chamado ‘compromisso’, mas apenas a escolha entre a capitulação e a ruptura.

No presente, se trava diante de nós a batalha do referendo. Precisamos fazer uma batalha de massas, uma mobilização profundamente unitária, que irá restaurar a confiança das forças populares e impulsionará uma nova onda de radicalização na sociedade grega.

Essa batalhas podem ser utilizadas para criar ‘à quente’ as condições para restabelecer o equilíbrio após cinco meses de impasse e redefinir as relações entre o governo, o Syriza e os movimentos sociais.

Enfim, é evidente que essa batalha não vai se desenrolar somente na Grécia. A realçao da Troika dos governantes europeus será redobrada. O povo grego vai se reunir e lutar. Mas ele tem uma necessidade vital de apoio internacional. Esta é a sua única arma face à força e à violência das classes dominantes, que sabemos serem capazes de tudo.

Viva a luta do povo grego!
Viva a solidariedade internacional!
Nós venceremos!

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