Visita de sobrinha

Por Helder Gomes

Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar”

Os Novos Baianos

Não é de hoje que a maganagem brasileira se empolga com a ideia de o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. Ficou famosa a foto de JK com a mão estendida ao secretário de Estado dos EUA, que visitava o Brasil, em meados de 1958, para assuntar sobre a campanha O petróleo é nosso. A imagem gerou muita controvérsia e ameaças por conta de uma marchinha de carnaval (“Me dá um dinheiro aí”). A foto desta semana mostra a presidente Dilma  cumprimentando com certo entusiasmo ninguém menos que Henry Kissinger. Ele mesmo, o braço direito de Nixon, fomentador das atrocidades das ditaduras pelo mundo. O petróleo continua no centro das atenções internacionais, mas a presidente afirma ter ido lá vender as novas concessões de estradas, ferrovias, portos e aeroportos brasileiros. Parece que, até agora, só conseguiu vender carne e facilitar o trânsito das elites brasileiras na alfândega estadunidense.

Em busca de uma agenda positiva, a presidente volta a atender  aos apelos para que flexibilize ainda mais a resistência via BRICS e estimule mais intensamente as relações comerciais com os EUA. A velha classe média brasileira quer viajar e comprar importados de última geração. Os donos do Brasil precisam vender suas commodities.

O saldo político da visita, se não dá tanta folga assim à presidente, sem dúvidas coloca Obama como o paladino das preocupações com a saúde do planeta, às vésperas da cúpula do clima de Paris. Além disso, agradecendo a intermediação do governo Dilma, o xerife do mundo afirmou que sua aproximação com Cuba irá promover a democracia e os direitos humanos.

Parece secundário fechar a equação de aumentar a exportação brasileira de commodities e ao mesmo tempo proteger o patrimônio natural da Amazônia. Isso é coisa para 2030.

Cada fala da presidente Dilma nos dá a impressão de uma agenda recheada. Vamos continuar nos esforçando para gerar saldos em nossa Balança Comercial, porque precisamos honrar com os compromissos internacionais do Brasil. Vamos continuar fomentando as parcerias público-privadas, porque precisamos de uma infraestrutura logística que garanta a redução de custos das commodities exportadas pelas empresas multinacionais aqui instaladas. Encantada com a visita, a presidente viu de perto o abismo que nos separa das tecnologias de última geração. Daí sua obstinação por tornar o Brasil um país inovador, o que requer incentivar a Pátria Educadora, estimulando externamente o programa Ciência Sem Fronteira e internamente o programa Todos pela Educação, usando o fundo público para a atração de fundos estrangeiros de participação privada (private equity), criando um mercado promissor a ser explorado pela iniciativa particular na área do ensino no Brasil.

Diante de uma jornada diplomática tão emocionante, não dá para tratar de temas desconfortantes tais como os grampos do Tio Sam em nossas redes de comunicação. Questão superada!

Dilma Obama

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