Colômbia: diálogos de paz

Por Pedro Otoni

Desde março de 2011, as FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia- Exército do Povo) vêm se empenhando na construção de um acordo de paz com o Governo de Juan Manoel Santos (atual presidente colombiano). Iniciativa que deu origem à Mesa de Negociações instalada em Havana (Cuba) em 2012, com a participação das partes beligerantes e dos governos de Cuba, Noruega, Chile e Venezuela. A Mesa é de grande significado, poderá solucionar um conflito social e político de meio século de existência.

As delegações do governo e da insurgência colombiana estabeleceram o Acordo Geral sobre os termos do Diálogo, são eles:

  1. Política de desenvolvimento agrário integral;
  2. Participação política;
  3. Fim do conflito;
  4. Solução para o problema das drogas ilícitas;
  5. Vítimas;
  6. Implementação, verificação e refendo.

Como é evidente, tal agenda de debates é complexa e o progresso das negociações também passa pelo envolvimento da sociedade colombiana e da comunidade internacional. Compreendendo isso, foi criada uma plataforma de interação pela internet, com o objetivo de colher contribuições para a estruturação dos pontos do Acordo Geral. Na outra ponta do processo, a mobilização social por toda a Colômbia é fundamental, tal como indicam as ações da Marcha Patriótica com o objetivo da manutenção da Mesa – dando combate aos setores oligárquicos que defendem a saída militar –, e ao mesmo tempo dispute os termos de um acordo de paz que responda às demandas sociais e políticas do povo.

Infelizmente os atores políticos e o governo brasileiro são apáticos a este processo. O peso político regional de nosso país exige uma incidência ativa nos esforços por uma solução pacífica e socialmente justa para a guerra na Colômbia. Caberá às organizações populares e setores comprometidos com a paz e os direitos humanos protagonizarem a solidariedade ao povo colombiano.

Frente ao ultimato do Presidente Santos para se encerrarem as negociações, as FARC-EP indicam um cessar-fogo unilateral para o próximo dia 20/07, e pretendem que o governo de Bogotá faça o mesmo. Tal iniciativa da guerrilha é fundamental para garantir a permanência da Mesa de Negociações, que hoje passa por um forte ataque dos setores abastados da sociedade colombiana, desejosos do conflito e dos lucros que extraem dele.

O apoio ao cessar-fogo fariano e a permanência da Mesa de Diálogo de Paz é o centro político da solidariedade ao povo colombiano. A paz socialmente justa é uma bandeira revolucionária.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s