As cinco táticas da direita brasileira

Por Pedro Otoni

Parto hoje das seguintes bases para analisar a conjuntura:

  • O Governo Dilma não possui bases (inclusive financeiras) para manter o mesmo arranjo político dos Governos Lula, o que a colocou em uma posição desfavorável junto a “base aliada”.
  • O Governo Dilma não está disposto a se comprometer com uma mudança de rumo no país, saída necessária diante da crise internacional e da crise política interna.
  • O PT e seu Governo não reúne capacidades para resistir e defender o país contra as ofensivas reacionárias.

Diante disso, surgem duas perguntas necessárias. Por que a direita ainda não tomou de assalto o governo? Quem poderá enfrentar a direita?

Como proposta de resposta para primeira questão, indico observar melhor a direita. Ela, até o momento, não tem unidade suficiente para mobilizar a força que possui no sentido de constituir uma alternativa de governo. A disputa entre interesses de seus líderes impede que uma proposta tenha peso suficiente para se impor como via tangível, capaz de dar o golpe de morte no cambaleante governo petista. É possível identificar pelo menos cinco táticas em curso, em tensão constante e correlação de forças que variam a cada semana.

Aécio1°) A cassação da candidatura da Presidenta – Proposta defendida por Aécio Neves (PSDB) que tem como propósito chamar uma nova eleição presidencial. Assim, segundo o tucano, seria possível ganhar uma chance na disputa presidencial. Ele sabe que possivelmente não será novamente candidato a presidente.

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serra

2°) Impeachment de Dilma – Nesta proposta, defendida por Serra (PSDB), Dilma seria removida do cargo, Temer assume e ele comporia o governo como ministro forte. Isso criaria um cenário parecido com o 1992-93, quando Collor cai, Itamar Franco assume e FHC torna-se o “super-ministro” do Plano Real, que o faria ganhar as eleições em 1994.

Cunha3°) Golpe Constitucional – É a proposta do Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), como forma de mudar completamente as regras do jogo entre PSDB X PT, o colocando como ator principal da direita brasileira, apoiado pelo crescente setor reacionário do campo evangélico. Tal manobra poderia ser encaminhada com a aprovação do parlamentarismo, tendo ele como Primeiro-Ministro, esvaziando o poder presidencial, aproveitando a fragilidade da bancada governista na Câmara.

Moro4°) Todo poder ao Judiciário – Proposta defendida por Sérgio Moro e setores do Ministério Público e da magistratura. Diferente das demais táticas, ainda não tem uma proposta de nome que poderia assumir a cadeira no executivo. Trata-se do fundamentalismo jurídico, uma corrente ideológica que propõe o fim da política e dos partidos. São os fariseus de nosso tempo, por julgarem os únicos “puros” e aptos para conduzir a vida pública, por terem a “verdadeira” leitura das leis e o caminho para salvar o país da corrupção, quando não passam de gananciosos que querem elevar seus privilégios “ao infinito”!.

5°) Desgaste paulatino até 2018 – Proposta defendida pelo GovernadAlckminor de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), sua tática consiste em sangrar o PT, desmoralizá-lo com o intuito de ser o cabeça de chapa da direita nas próximas eleições. Assim ele poderia continuar com seu mandato estadual, se colocando como um ponderado que defende a estabilidade frente as demais propostas.

As cinco táticas estão operando e se recompondo em ideias novas a todo momento, como, por exemplo, a proposta de forçar a presidente à renúncia. Porém, as propostas ainda não chegaram em um termo capaz de contemplar a maioria de seus defensores, o que não significa que não irá acontecer. Cabe o alerta.

Quanto à tentativa de resposta da segunda questão, isso fica para um próximo texto.

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