A Crise. Mas que Crise?

Por Lúcio Gregori

O que temos realmente no ocidente é mais uma das crises cíclicas do capitalismo, agora financeiro. Como isso não pode ser assumido pelos dominantes tupiniquins, cria-se no imaginário da população uma aguda crise econômico-política exclusivamente local. O que se quer evitar é tornar óbvia  uma crise de estado capitalista, cujo enfrentamento e  desenlace eles não querem arriscar.

Como em toda ópera bufa as farsas se sucedem , como o levítico ajuste e a renânica Agenda Brasil que revelam, ao fim, o enorme jogo de cena dos partidos da ordem, mas com perdas enormes para os de baixo.

As propostas bufas não param; redução de ministérios que ao todo respondem por 5000 cargos de confiança fora do funcionalismo de carreira  federal, contra 530.000 cargos de confiança  municipais e 135.000 cargos de governos estaduais; operação Lava-jato dia e noite na mídia ao contrário da operação Zelotes e a dança patética da CPMF, para citar mais algumas.

Mas a crise do estado brasileiro está aí o tempo tempo todo; com a dívida sem controle, sem auditoria e sem outro objetivo que não transferir riqueza para o capital financeiro; com a tributação regressiva que pune os de baixo e  beneficia os de cima; com a mídia monopolísta; com a democracia sem mecanismos de democracia direta para mudanças de interesse da maioria. Um dos resultados disso tudo é a indigência dos serviços públicos essenciais e de direito, para a  esmagadora maioria da população.

Uma análise e avaliação das  manifestações de 2015, que só podem ser entendidas após a explosão causada pelas de 2013, pode indicar pistas para propostas concretas e com ampla aceitação, pois surpreendentes 88,60% e 84,30% dos manifestantes de 2015 acreditam, respectivamente, na universalidade e na gratuidade do serviço de saúde; 92,30% e 86,90% na universalidade e gratuidade da educação; 21% na gratuidade dos transportes urbanos a serem  somados a  29% na gratuidade com ressalvas. 

Dois textos detalham possibilidades e equivocos a evitar para que se alcance mudanças significativas, a saber; Paradoxos da Demanda por Direitos de Pablo Ortellado, ver  http://www.estadao.com.br/noticias/geral,paradoxo-da-demanda-podireitos,1746420  e A Onda Conservadora é Menos Fácil de se Entender de Rodrigo Nunes, ver  http://naofo.de/77eq

 O fla-flu-vasco que já citei, parte da ópera bufa, não interessa à esquerda. Sem preconceitos, essa conjuntura abre uma oportunidade para seu crescimento, com propostas e  imaginário que vão desde o significado do combate à corrupção, à colocação de uma narrativa sobre mídia democrática, meio-ambiente, cultura livre, defesa de minorias, diversidade sexual, criação de direitos e a qualificação de serviços públicos, essa última  a meu ver, o eixo fundante das mudanças a propor. Fechando a narrativa, a consequente colocação da crise brasileira dentro da crise internacional e a nova geopolítica que começa a se esboçar no mundo ocidental. O momento é precioso pois o drama dos refugiados ajuda o seu entendimento.

Enfim, o que se quer é uma esquerda grande, não é ? 

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