Brasil, independente de quem?

Por Luciana Genro

Neste dia se comemora a independência do Brasil dos portugueses, declarada em 7 de setembro de 1822. Desfiles são organizados em todo o país e as autoridades proferem discursos protocolares escritos por seus assessores.

Mas o que significa realmente ser independente? O Brasil de hoje é extremamente dependente das empreiteiras, dos bancos e das multinacionais que financiam as campanhas da imensa maioria dos políticos e dos partidos. É por isso que estamos vendo todos os partidos do sistema envolvidos no escândalo de corrupção deflagrado pela operação Lava-Jato. Não é por acaso que PT, PSDB e seus aliados estejam diretamente implicados no recebimento de propina, pois todos bebem da mesma água: o dinheiro das empreiteiras, dos bancos e das multinacionais – que o PSOL, por definição estatutária desde sua fundação, escolheu não receber.

O Brasil também é dependente do pagamento de uma dívida pública absurda, que já ultrapassa os R$ 3 trilhões! De acordo com o movimento Auditoria Cidadã da Dívida, em 2015, até o dia 1 de setembro, o governo do PT já entregou R$ 671 bilhões para pagar os juros desta dívida.

Vivemos em um país onde o governo deixa de investir em saúde, educação e segurança para injetar recursos no pagamento de uma dívida que ninguém sabe como foi contraída e quem são os credores. Imaginem se estes R$ 671 bilhões fossem destinados para suprir as necessidades reais do povo?

Também não existe independência tributária no Brasil. Todo nosso sistema de arrecadação de impostos é organizado para aliviar os mais ricos e achacar os mais pobres e a classe média. Ao contrário da maioria dos países desenvolvidos, o Brasil não taxa as grandes fortunas e não adota um imposto de renda progressivo. Aqui, as faixas e alíquotas do imposto de renda começam a incidir a partir de um patamar muito baixo (R$ 1.372,81).

Não precisamos de muito esforço para perceber, pois, que nossa independência possui muitas dependências.  Apostamos na força e na organização do povo para conquistar a verdadeira independência. Apostamos na luta dos trabalhadores, das mulheres, da juventude, dos negros e da população LGBT para remover as amarras que ainda prendem o Brasil a uma dependência brutal do sistema financeiro e das elites.

É por isso que o PSOL segue nas ruas defendendo a necessidade de refundar as instituições apodrecidas da República. É por isso que seguimos nos debates e nas campanhas eleitorais apresentando propostas concretas para uma verdadeira revolução tributária, que taxe os milionários e alivie a tributação sobre o salário e sobre o consumo. É por isso que defendemos uma auditoria da dívida pública e a suspensão de seu pagamento. É por isso que seguimos juntos, acreditando na utopia concreta de um outro futuro possível. Um futuro que se constrói a partir de agora, no presente, e onde a palavra “independência” realmente mereça ser celebrada.

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Um comentário sobre “Brasil, independente de quem?

  1. Fabrício Daniel Freitas 07/09/2015 / 13:39

    Pode não ter ganhado a presidência, mais ganhou um admirador, aliás muitos admiradores no Brasil, pela sua garra, e competência.

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