RIO GRANDE DO SUL EM LUTA!

Por Cláudia Fávaro 

Hoje em Porto Alegre a Assembléia Legislativa do Estado amanheceu cercada de policiais da tropa de choque, sendo que o acesso de veículos ao Palácio Piratini e à “Casa do Povo” estavam bloqueados. Não é mera coincidência que estas atitudes sejam as mesmas tomadas pelo o ex-governador Tarso Genro (PT) durante as jornadas de Julho de 2013 onde usou deliberadamente as forças coercitivas do Estado para impedir que as mobilizações chegassem até o seu palácio, espaço de poder de onde ele comandava o estado. Tampouco difere do ocorrido em Abril deste ano no Paraná, quando o governador Beto Richa (PSDB) baixou a lenha nos professores que estavam em greve por conta da tramitação de um projeto de lei que retirava direitos da categoria do funcionalismo público.

O que estamos vendo hoje, no Rio Grande do Sul, é a soma de um governo autoritário, incompetente e apático. A atitude do governo dirigido por Sartori (PMDB), no dia de hoje, de empurrar goela abaixo um projeto de ajuste que ataca diretamente o funcionalismo público, às portas fechadas, demonstra o quanto a democracia que vivemos é uma falácia e como ela pode ser uma barreira para o avanço das políticas neoliberais de enxugamento do Estado e de retirada de direitos. No dia de ontem diversas lutadoras e diversos lutadores do funcionalismo público do Rio Grande do Sul bloquearam as portas da assembléia legislativa para impedir a apreciação do projeto enviado pelo centro do governo. Com medo e alegando riscos aos parlamentares o presidente da casa cancelou a sessão.

Então, se a população não aceita tais medidas, se empodera e reivindica legitimamente que a conta dessa crise seja cobrada dos de cima – de quem a gerou – a forma encontrada pelo governo é imediatamente apelar às forças coercitivas do Estado e assim como fez Richa (PR), aprovar a qualquer preço e a qualquer custo os cortes. Cortes estes que não atingem os de cima, uma vez que eles seguem com seus privilégios, com as ‘bandinhas’ de helicóptero; com a isenção de impostos às grandes empresas; com a entrega de áreas publicas à iniciativa privada; enfim, com o desmanche do Estado. Além do mais, a sua grande aliada RBS é investigada na operação Zelotes por sonegação de impostos que envolvem cifras maiores que a operação Lava-jato. Mas no final, quem paga a conta são os debaixo, uma vez que os cortes atingem somente aqueles que carregam nas costas o Estado.

Sartori se elegeu com o slogan “meu partido é o Rio Grande”. Daqui nós dizemos, “o Rio Grande não tem partido” e lutamos contra os patrões e os governos, pela garantia dos direitos dos trabalhadores e pela unidade das categorias. É impossível aceitar o parcelamento dos salários e a extinção de estruturas do Estado que são de grande relevância social. Não serão as direções sindicais pelegas nem os conchavos das elites que nos calarão.

No entanto, é importante não cair no conto petista de que mirar no governo do Estado vai tirar o foco das escolhas que têm sido feitas pela presidenta Dilma. E já avisam os movimentos sociais que não caiu nada bem o anúncio dos cortes no orçamento que recaem diretamente nos programas sociais do governo, principalmente em relação ao Programa Minha casa Minha Vida. Nesta última semana o MTST lançou nota mais uma vez repudiando as soluções adotadas pelo Governo Federal que vêm jogando o custo da crise nas costas dos trabalhadores mais pobres e se prepara para as lutas que estão por vir, sem arredar o pé e exigir o recuo do governo em relação as medidas de austeridade.

Assim como os servidores públicos, os movimentos populares seguirão mobilizados, denunciando o reposicionamento do governo pós eleição e lutando pelos nossos direitos.

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