A atualidade da Coluna Prestes

Por Sammer Siman

Uma das movimentações sociais mais potentes que o Brasil já viu foi a Coluna Prestes, uma marcha monumental de mais de 25 mil quilômetros realizada por mais de 1,5 mil homens e mulheres ligados/as a um militarismo progressista que surgiu no Brasil no início do século XX.

Com a liderança destacada do grande patriota Luis Carlos Prestes, a Coluna que ficou consagrada com seu nome mergulhou no Brasil profundo ainda na década de 1920, iniciada no Rio Grande do Sul e percorrendo 13 estados do Brasil, derrotando 18 generais do governismo.

Uma das tantas lições da Coluna nos parece muito atual: Seu projeto inicial foram bandeiras de ordem liberal (o que não significa que eram desprezíveis), a exemplo da conquista do voto secreto. Seu grande objetivo final: a queda do então presidente Arthur Bernardes.

Sem rumo previamente determinado a Coluna fora identificada logo cedo como um perigo à república: Uma das razões era que Prestes junto dos homens e das mulheres que se colocaram em marcha assumiram, desde a saída, um compromisso decidido com o cotidiano do povo.

Como nos conta Anita Prestes em seu livro Uma epopeia brasileira: A Coluna Prestes desde a falta de luz, passando pela segurança alimentar e soluções técnicas para o bem viver da população a Coluna comprometeu-se desde seu início, resolvendo problemas práticos por onde passou. Razão pela qual a Coluna Prestes credenciou-se junto ao povo e, nas palavras de Anita, ganhou grande prestígio junto dele.

Antes mesmo de seu fim a Coluna chegou, ao que me parece, em sua grande lição: Suas premissas iniciais eram equivocadas. Ao povo pouco importava quem era o governante ou se o voto era ou não secreto.

Ao povo interessava o acesso à terra e suas condições dignas de reproduzir-se sobre ela. Em síntese, ao povo interessava condições melhores de vida, com Arthur Bernardes ou sem Arthur Bernardes. Não por menos, desde então, Prestes dedicou sua vida à organização popular.

Passados mais de 90 anos desta movimentação social edificante parece atual algumas de suas lições: Será que as massas brasileiras tem no seu horizonte prioritário votar mais ou menos? Nas vilas, favelas, prisões e outros rincões do campo e da cidade a grande voz que se ouve é “constituinte exclusiva”? Será o “sai ou fica” Dilma?

Certamente que não! Ao povo nos parece interessar as mesmas condições de outrora para uma reprodução digna da vida: Com as devidas atualizações o povo precisa de terra (e a questão agrária hoje se encontra muito presente nas cidades, especialmente na questão da moradia), precisa de paz (é gritante a violência estatal que deverá se manter com o PIB crescendo a 1 ou 4%, com ajuste ou sem ajuste, preservados os termos deste modelo econômico genocida e transnacionalizado), precisa de acesso à cultura, ao lazer, ao trabalho digno. Precisa de acesso à vida!

É por isso que temos insistido: façamos uma ação decidida em torno das mudanças que realmente importam, a partir do cotidiano das massas. E, para tanto, como diz o amigo Vitor Hugo Tonin, devemos limar as ambiguidades, a exemplo da defesa da democracia como um ente abstrato, do FLA x FLU sai ou fica Dilma, da limitação do problema aos “ajustes do Levy” e outros chamados que só são úteis para preservação do Brasil na sua condição de dependência e subordinação diante dos desígnios da economia mundial.

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