Por uma agenda mais realista

Por Helder Gomes

Enquanto o Fla-Flu político discute quem vai cair primeiro (se Rousseff, ou Cunha), problemas estruturais vão se acumulado. O Estado brasileiro está se enredando cada vez mais na armadilha especulativa do endividamento e esse processo entrelaça sistemicamente os interesses públicos com os negócios privados. Tal situação tem sido mascarada pela disputa política rasa, que o poder da mídia espertamente procura focar, escondendo a submissão dos processos políticos aos interesses dos proprietários, dos exploradores, que atualmente priorizam a especulação.

No mundo todo, o domínio da ganância especulativa está a exigir, para garantia de seus interesses, que os/as governantes destruam os serviços públicos. Isso, porque o capitalismo reproduz há algumas décadas uma grande crise estrutural, sob o domínio da acumulação de riqueza fictícia, cujo principal instrumento de gestação tem sido a dívida pública. Sua reprodução impede o financiamento de serviços públicos essenciais na qualidade e na abrangência universal desejadas por quem mias precisa deles. Dai surge a necessidade de privatização, nas suas mais variadas modalidades: alienação patrimonial direta, ou as famosas Parcerias Público-Privadas. A Europa tem sido a grande evidência desse movimento predador, exatamente por ter experimentado o Estado de Bem-Estar em sua forma mais abrangente.

Agora, no Brasil, além dos serviços públicos essenciais (saúde, educação, previdência etc.), que o Estado endividado não tem mais condições de financiar, os setores mais rentáveis (transportes, petróleo e outras fontes energéticas, por exemplo), ainda sob algum controle estatal, também devem ser privatizados, desnacionalizados, como forma de garantir a acumulação privada neste momento da crise econômica mundial.

O domínio da acumulação fictícia sobre as demais formas de capital significa a subordinação das decisões sobre o futuro à lógica da especulação: desde ao que se refere à seleção de prioridades nas políticas públicas, até as formas de utilização do patrimônio natural do planeta. Desse modo, dado o grau de devastação mundial provocado até aqui, o fundamental mesmo é questionar até onde irá se reproduzir essa lógica da especulação predatória, exterminadora. Em que medida estamos experimentando um período de efetiva ameaça à humanidade? Uma questão que se coloca ainda mais importante, na medida em que parece não haver limites para a doutrina estadunidense de destruir qualquer ameaça à trajetória de dominação imperialista dos Estados Unidos, por meio do terror do Tio Sam: armas financiadas por meio de dívidas públicas, comandadas pela lógica especulativa da autorreprodução.

Se é assim, devemos retomar o debate sobre os verdadeiros problemas estruturais de nossas sociedades (e a dívida pública é apenas um deles), nos afastando dessa agenda forjada pelo debate dominante nacional, em busca de uma sociabilidade superior, muito mais avançada, cuja construção exigirá muito mais que as propostas correntes de remendos na política de ajuste fiscal.

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