A SEPLA e sua interação com os movimentos populares

Por Helder Gomes

A agenda política que interessa e que está em curso em nuestra América é a da revolução anticapitalista dos povos latino-americanos. Essa foi a principal mensagem que pude extrair do último Encontro da Sociedade Latino-Americana de Economia Política e Pensamento Crítico (SEPLA), realizado em meados de outubro, na UNAM (Cidade do México), cuja sessão de encerramento ocorreu na Sede do Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME). O SME foi uma das principais entidades a formar recentemente uma nova central sindical no México, com o objetivo de agrupar as forças sindicais independentes, tanto em relação aos grupos ligados ao governo como aos partidos políticos tradicionais. A nova central sindical mexicana nasceu no seio das recentes lutas de resistência organizadas nacionalmente pelos movimentos de eletricistas, do magistério, de trabalhadores/as do transporte etc., mas, também, nos mais diversos movimentos populares de nível local, nos pueblitos, e nas muitas cidades do interior daquele país.

Pude observar, nos depoimentos e apresentações de artigos do Encontro, que essas mobilizações de resistência estão acontecendo em boa parte da América Latina. E elas resultam do aprofundamento das investidas imperialistas sobre as famílias trabalhadoras urbanas e rurais, que percebem uma intensa degradação na qualidade de vida. Uma situação que atinge também, de maneira avassaladora, os povos tradicionais, atingidos especialmente pela intensificação das atividades de extração mineral, de beneficiamento siderúrgico, de produção de energia e da agropecuária. A mineração, o agronegócio e a siderurgia são atividades econômicas que demandam muita água e energia e que vão ocupando territórios antes reservados à reprodução das florestas nativas e para a produção de alimentos. Imensas áreas estão sofrendo o impacto predatório de grandes obras industriais, de geração de energia e de transportes, construções essas fomentadas inclusive pelos chamados governos progressistas que emergiram nas últimas décadas no continente.

O uso da violência está presente em toda parte e as comunidades tradicionais resistem da forma que podem. Muitos dos maiores sindicatos de mercado, das centrais sindicais e dos movimentos populares governistas estão sendo contestados em sua posição passiva frente à ofensiva do capital, por iniciativas populares de resistência, que se organizam à margem da tutela das representações formais, construindo suas lutas em toda a América Latina. Dessa forma, conseguem resistir à violência organizada pelas forças paramilitares, por milícias armadas, que invadem áreas ocupadas secularmente pelos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, entre outros.

A interação da intelectualidade crítica com as organizações populares em ação procura desvendar e dar visibilidade a suas lutas. Com essa aliança, tem sido possível perceber que, em pleno século XXI, os proprietários do capital não se intimidam em utilizar formas típicas de acumulação primitiva, para garantir a transferência de riquezas de forma predatória. Barrar esse movimento de rapina, de pilhagem e de extermínio dos povos tradicionais não é tarefa que se resolve em reuniões de gabinete. Somente a resistência e o avanço das forças populares em luta podem cumprir esse objetivo histórico. E isso está ocorrendo de fato.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s