Os dilemas de decisão da Casa Grande

Por André Takahashi

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Neste final de 2015 bastiões do status quo enfrentam dilemas de decisão que precisam ser explorados pelas forças progressistas. Atuar nessas brechas é fundamental para, em curto prazo, quebrar a inércia dos que estão desanimados, retomar a iniciativa progressista e dar ritmo e narrativa na disputa contra a onda conservadora e agroextrativista que capturou a agenda política. Na política, um dilema de decisão ocorre quando seus adversários saem no prejuízo independente da ação que realizarem. No momento atual, representantes da Casa Grande que controlam o país encontram-se em uma situação próxima disso.

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Fonte: Ibase

Uma particularidade da conjuntura é que em dois dos casos mais emblemáticos o PMDB, partido que realmente manda no Brasil, está exposto e colhendo repúdio massivo da população. O genocídio socioambiental promovido por sua financiadora de campanha, a Samarco/Vale, exterminando a quinta maior bacia hidrográfica brasileira, afetando milhões de pessoas e expondo a máfia da mineração; e a situação insustentável de Eduardo Cunha como presidente da Câmara, após a revelação das contas secretas na Suíça e do advento do movimento  #ForaCunha, capitaneado por mulheres que buscam impedir o retrocesso dos seus direitos.

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E. E. Fernão Dias. Foto: Raphael Sanz

Em São Paulo, o grupo politico dominante (PSDB) enfrenta um novo movimento de defesa da educação pública, que tem na ocupação de escolas e na formação e mobilização da comunidade suas principais táticas contra a “reorganização escolar” proposta pelos tucanos. Até o momento, são mais de 64 escolas ocupadas por estudantes e professores; apoiadas por famílias, movimentos e diversos coletivos que, juntos, transformam cada escola ocupada em um pólo de organização, formação e disseminação contra-hegemônica. A legitimidade da pauta e sua capacidade de engajamento obrigam a mídia corporativa a fazer coberturas positivas sobre a luta, fato raríssimo em disputas contra o governo tucano, geralmente blindado por esta mesma mídia. Além disso, até o momento, o poder judiciário tem garantido a ação dos estudantes, impedindo a  reintegração de posse das escolas ocupadas.

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Ocupação da E.E Dep. João Dória, no Itaim Paulista foto: Mal Educado

Paralelo a esses acontecimentos avança o enfraquecimento do PT, que encontra-se ocupado com ataques midiáticos diários expondo seus desvios e com as crescentes greves em setores estratégicos. Em um processo de autosabotagem surpreendente, fruto do dilema de manter sua opção de “governabilidade” (com aspas mesmo), o petismo insiste em tomar medidas antipopulares e eleitoralmente suicidas.

samarco e globo
Circula nas redes sociais foto de nota publicada no Jornal de Brasília, desta quarta-feira (17), na qual se afirma haver relações financeiras entre Vale e um dos setores de investimentos do Bradesco e Grupo Globo.

Essa opção o faz implantar políticas de ajuste fiscal; defender a manutenção de Cunha na presidência da Câmara e amenizar o genocídio socioambiental da Samarco/Vale, também financiadora da sua campanha. Ou seja, o governismo caminha para o lado oposto das forças motrizes que lutam por mudanças democráticas, realizando um “abraço dos afogados” com o PMDB. Rompendo, inclusive, com setores do PT que vêm sendo pressionados por suas bases sociais. A recente saída do deputado federal Alessandro Molon (RJ) e de diversos prefeitos do PT são a expressão mais explícita desse rompimento.

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Foto: Fernando DK/Democratize

Cabe à capacidade de organização das forças progressistas romper o cerco midiático que impede o reconhecimento desse cenário e a organização popular. Esse cerco pode ser superado com a continuidade e ampliação das ações massivas, a criação de espaços que promovam o diálogo entre as diversas pautas e fortaleçam a produção e distribuição de mídia independente. Ações no timming correto, com registro e disseminação de conteúdo, alteram a correlação de forças ao conectar pautas populares com setores dispostos a ação, mas isolados. Temos o cenário para uma virada que, a médio prazo, supere a onda conservadora e agroextrativista atual; mas é um momento que não dura para sempre, e nem por muito tempo.

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