O Fla x Flu da política e o risco de participar dos acordões

Por Helder Gomes

As últimas notícias de Brasília me fizeram lembrar que em 2003, (primeiro ano do governo Lula), o Brasil via espantado as notícias midiáticas que se difundiam a partir da CPMI do Banestado. Muitos dos nomes que hoje se divulga como vinculados à Operação Lava Jato já faziam parte do cotidiano da imprensa, desde juízes e policiais federais até os doleiros e muitos dos acusados. O que o Brasil não tinha conhecimento era o esforço de bastidores para jogar água na fogueira da CPMI, cujas investigações ameaçavam jogar na cadeia muita gente graúda, do Oiapoque ao Chui. O objeto era uma decisão do Banco Central, tomada durante o governo FHC, que, sob a justificativa de facilitar o repatriamento de reais gastos por sacoleiros/as no Paraguai (pode?), acabou abrindo uma avenida para a lavagem de dinheiro, em escala nunca vista até aquele momento neste país: caixa dois de grandes empresas, propina por superfaturamento de grandes obras públicas, sobras de campanhas eleitorais envolvendo quase todos os partidos, faturamento do jogo de bicho e do tráfico, entre outras.

Pois bem, mesmo bombardeada por todos os lados, a CPMI seguia seu curso, até que aconteceu o último ato que me recordo daquilo que se converteu numa grande farsa democrática. Uma liderança nortista do PSDB no senado adentrou à sala das sessões esbravejando: ou retiravam a reconvocação do ex-presidente do Banco Central, responsável direto pela referida decisão do banco, ou a bancada tucana colocaria entre os casos investigados naquela ocasião várias denúncias, envolvendo a lavagem de dinheiro e o financiamento de campanhas eleitorais do PT.

Nunca mais se falou da CPMI do Banestado, pelo menos até a divulgação das denúncias do Mensalão e da Operação Lava Jato. Agora, às vésperas de um longo recesso, o presidente da Câmara, denunciado por tenebrosas transações, anuncia o acolhimento de um novo pedido de impeachment. Abriu-se novamente a temporada das operações de bastidores…

Enquanto isso, o Brasil real desce ladeira abaixo, da mesma forma que a lama inerte da Vale/Samarco pelo Rio Doce afora, ameaçado por uma enxurrada ainda maior de entregas de seu patrimônio, que está sendo negociado por grandes deslizamentos morais de governantes, nas três esferas da federação.

Diante disso, o pior cenário seria incorporarmos o Fla x Flu da política, tal como sugerido pelas partes em disputa a partir de Brasília. Independente da posição das representações políticas das classes trabalhadores brasileiras, a luta de classes segue seu rumo. Ela se manifesta nas mobilizações espontâneas das comunidades atingidas pelas grandes barragens e por quem trabalha em sua construção, em condições subumanas, desde a Amazônia até o imenso litoral atlântico. Mas, também, se realiza pela ação firme de estudantes, que denunciam a privatização da escola pública, com ocupações de resistência. É um aprendizado, que vem das famílias sem terra e sem moradia, que continuam ocupando os meios de vida, contra as atuais formas espoliação. É dessa luta que demandam nossa participação ativa e é dela que devemos nos ocupar!

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