Dez fundamentos do Estado Islâmico

Por Pedro Otoni

O grupo fundamentalista Estado Islâmico (EI) se autodeclarou califado – regime político que, segundo o Islã, deveria suceder a liderança de Maomé – em partes do território iraquiano e sírio. Imaginam estabelecer um país que seja a imagem e semelhança do que pensam seus líderes sobre a religião, política, direitos civis, cultura, etc.

Veja os 10 pilares que pretendem sustentar o Califado do Estado Islâmico.

  1. Sistema Político – Uma monarquia absoluta teocrática no qual o monarca (Califa) seja o único portador do poder. Não haverá eleições.
  2. Regime Político – Não permitirá a existência de grupos opositores, partidos políticos, sindicatos e organizações da sociedade civil.
  3. Religião – O Islã, em sua leitura sunita-salafita, será imposto a toda a população como religião oficial, as demais correntes do islamismo serão declaradas heréticas e devem ser combatidas e exterminadas, bem como outras religiões.
  4. Sistema Jurídico – Não haverá constituição. O Alcorão (Livro Sagrado do Islã) e a sunnah (as tradições de Maomé) são declarados como as únicas leis fundamentais.
  5. Mulheres – As mulheres serão proibidas de acessar a vida pública e não terão nenhum direito, terão de se subordinar completamente aos homens.
  6. Relações Internacionais – O califado do EI pretende usar as rendas do petróleo – que vende ao ocidente – para financiar os grupos fundamentalistas e praticar a jihad (Guerra Santa) contra regimes políticos republicanos ou considerados heréticos no mundo árabe.
  7. Cultura – Será eliminada do seu território qualquer vestígio de cultura pré-islâmica, ou que não esteja relacionada ao sunismo.
  8. Inimigos e Aliados – Será contra o Hezbollah (Líbano), contra o Partido Baath (Síria), não apoiará a causa palestina e se oporá ao Irã, porém estabelecerá relações “ambíguas” com Israel.
  9. Economia – Se apoiará exclusivamente na exploração e exportação de Petróleo, porém o uso desta divisas estarão sobre controle direto do monarca (califa).
  10. Visão de Mundo: A linha oficial do califado em relação ao mundo está relacionada a sua missão de “purificar” a terra, o que significa exterminar tudo o que esteja contrário a sua interpretação do Islã.

Estes 10 pontos estruturam o país que o Estado Islâmico deseja e pretende fundar; o que não é dito é que este país já existe e se chama Arábia Saudita.

A existência do EI é produto e componente operativo da estratégia dos EUA para o Oriente Médio. Assim como a Arábia Saudita, aliada histórica de Washington, o EI, de uma outra maneira, serve aos interesses norte-americanos para o Oriente Médio, que são:

  1. desestabilizar governos não-alinhados ao Ocidente no mundo árabe – como o de Bashar Al-Assad na Síria, por exemplo.
  2. garantir o acesso ao petróleo para empresas norte-americanas.

Tanto a Arábia Saudita quando o EI colaboram para a consolidação destes interesses. A Arábia Saudita negocia petróleo com os yanques e financia grupos sunitas contra governos e organizações anti-imperialistas. O EI contrabandeia petróleo para companhias ocidentais e combate os curdos, o Hezbollah e o governo sírio (todos não alinhados aos gringos). Por isso não há contradição em os EUA apoiarem a Arábia Saudita e esta sustentar, mesmo que de maneira discreta, os extremistas do Estado  Islâmico. Por isso não é absurda a semelhança entre o que querem o EI para seu califado e o que já existe na Arábia Saudita desde sua fundação, em 1932.

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