Capitalismo versus Mega Filmes HD

Roberto Santana Santos*

Recentemente, a prisão dos donos do site Mega Filmes HD e sua retirada do ar foram notícia no Brasil. A referida página de internet hospedava links para assistir filmes e séries on line, gratuitamente, sendo um dos mais acessados sites do tipo no país. Na grande mídia, controlada por grupos transnacionais e monopólicos, tudo foi noticiado como uma operação contra o crime à propriedade intelectual. Entre os monopólios midiáticos se encontram as empresas detentoras da maior fatia do mercado de entretenimento mundial, como Warner Bros, FOX e Disney.

Essas empresas vivem uma cruzada mercadológica contra o livre compartilhamento de conteúdo pela rede. Os direitos autorais e a tal “propriedade intelectual” são uma grande falácia do capitalismo para aumentar lucros livremente. Essas empresas se apropriam privadamente de produções que deveriam ser para o desfrute de todos e todas.

Depois que um artista finaliza uma obra de arte, ou um intelectual termina uma obra acadêmica, ele/ela a publiciza, ou seja, a torna pública. Não há sentido na produção artística e intelectual humana se não compartilhá-la com a sociedade. É justamente o que sites de compartilhamento de arquivos e conteúdo fazem. Eles tornam as produções humanas mais conhecidas.

Se você comprar um livro e depois emprestá-lo a alguém, isso não é crime. Você não está vendendo o livro, não está ganhando nada sobre ele. Você está somente compartilhando conhecimento (e consequentemente tornando o livro e seu autor mais famoso). Por que compartilhar um filme ou uma série na internet seria então um crime? Ninguém vende o filme naquele espaço virtual, você simplesmente mostra o filme.

As grandes empresas de entretenimento vivem hoje de barrar o acesso ao conhecimento, à diversão e às artes. Como tudo no neoliberalismo selvagem, mercantilizam-se as produções humanas em nome do lucro. Consequentemente se impede o acesso a determinados conteúdos para aqueles que não podem pagar.

Por outro lado, o avanço das forças produtivas, ou seja, dos mecanismos criados pela humanidade para modificar o natural de acordo com suas necessidades, não pode ser obliterado. O avanço da informática permitiu o compartilhamento de conteúdo pela rede. Manifesta-se aqui o que Marx colocava como as contradições inevitáveis entre as forças produtivas e as relações de produção, ou seja, entre um avanço tecnológico (compartilhamento de conteúdos) e as relações sociais (capitalistas, portanto, que lhe permitem o acesso ao conteúdo somente mediante pagamento, pois o conteúdo é uma propriedade privada das empresas).

Somente num sistema pós-capitalista tornaremos norma aquilo que já vem aparecendo aqui e acolá pela rede. Que o acesso ao conhecimento e entretenimento não é uma mercadoria e que não aceitaremos mais pagar por eles. Assim como o compartilhamento de músicas não pôde ser parado, as outras mídias também seguirão pelo mesmo caminho.

*Roberto Santana Santos é historiador/professor de história. Militante das Brigadas Populares

megafilmes

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