E agora, quem poderá nos defender?

Por Sammer Siman

Um dos traços da falência da atual república é a falta de um vértice político e social apto a construir alternativas que elevem a condição do povo brasileiro. Não existem paladinos da moralidade de plantão e a própria Operação Lava Jato é uma expressão disso, pois entre delações e revelações não ficou de fora PT, PMDB, nem muito menos PSDB.

Do ponto de vista das instituições, não há quem possa nos defender. Exemplo é a polícia federal que age com firmeza em uns casos e em outros goza de uma seletividade gritante, a exemplo da não investigação do fatídico caso de 500 kg de pasta base de cocaína encontrado por ela num helicóptero da família Perrela no Espírito Santo, caso “esquecido e enterrado”, em tempos do mítico discurso de “guerra as drogas”, que nada mais é que guerra ao povo preto e pobre, em especial de sua juventude.

Outro que carece de maior credibilidade é o poder judiciário, composto por uma casta de magistrados que, como apontei em artigo recente, acumula privilégios a exemplo de um escandaloso auxílio moradia que repassa cerca de 60 mil reais por ano (LÍQUIDO!) para CADA juiz. Sem falar da rede globo, um partido político nascido nas barbas da ditadura civil-militar que por mais de 50 anos segue prestando continuados desserviços à nação em nome de interesses corporativos e multinacionais.

Do ponto de vista dos partidos, chega a ser cômico (ou trágico?) ver Michel Temer declarar estar apto para assumir o Brasil, numa convenção do PMDB em que chegou a tiracolo do nada ilibado Eduardo Cunha e do arcaico José Sarney. O PSDB dos trensalões, do mensalão mineiro e das privatizações também já deu mostras suficientes que seu grande lance é a estabilidade dos banqueiros, e um dos exemplos é a sua lei da dita “responsabilidade” fiscal que na prática não passou de um acordo com o FMI para precarizar o serviço público em detrimento do endividamento crescente dos entes federativos, conforme refleti neste artigo no ano de 2015.

E quanto ao PT, além de ter se lambuzado nos esquemas de corrupção, acabou os termos da conciliação de classes que por 13 anos sustentou seu projeto, pois o mito da sociedade de “classe média” veio abaixo num tempo em que está dado pelo poder econômico a sua ânsia por atacar o regime de previdência, ampliar as terceirizações, ampliar o modelo extrativista que mata rio e gente, além da sanha das multinacionais sobre o Pré-sal, conforme apontou em artigo recente Pedro Otoni.

Se 2018 era tudo que o PT tinha em vista, o amor acabou. Pois a classe trabalhadora não está disposta a pagar uma conta que não criou e também não vai segurar um governo a troco de uma agenda regressiva de direitos. Se, afinal, ninguém poderá nos defender, o que resta é construir de maneira convicta um campo social e político que coloque no centro a defesa de direitos associada a um amplo programa de mudanças, a exemplo dos 5 pontos recém lançados pelo Senador do Paraná Roberto Requião (escrito por gente como o economista e ex-presidente do BNDES Carlos Lessa) que demonstram que é possível uma economia voltada para os interesses do povo brasileiro.

Mais do que sair as ruas devemos passar, desde já, a uma construção decidida de uma agenda de mudanças e iniciativas que conquiste “mentes e corações” do povo brasileiro e o coloque em marcha a favor de sua soberania e em defesa de nossa pátria que ainda há de ser livre.

aécio-e-zezé-perrella

 

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Um comentário sobre “E agora, quem poderá nos defender?

  1. Pedr Portela 13/03/2016 / 18:44

    Bela reflexão sobre o rumo que devemos tomar.

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