O falso rastro deixado pela direita e os desafios pós-impeachment

Por Vitor Hugo Tonin

O espetáculo está montado.  A semana será de tirar o fôlego. A espetacularização da política atingirá seu ápice. O mapa abaixo da organização das manifestações em Brasília no dia do impeachment, programado para o próximo domingo, é uma prévia. Imaginem a programação televisiva dominical: Faustão, Fantástico e outras Kim Kilharias?

Até parece que o objetivo é  conferir a maior legitimidade possível à decisão: vença quem vencer a estabilidade burguesa deve retornar imediatamente! Pode ser. Mas não é tempo de suposições. As consequências de um erro agora são gigantescas. O momento não é para amadorismos.

Diante da crise a esquerda busca a todo custo encontrar atalhos para seu crescimento. Infelizmente, parte dela está trilhando o rastro antipetista construído pela direita. Como podem seguir no rabo da direita? Será que creem ter mais instrumentos, organização e base social para disputar a direção desse movimento antipetista com o imperialismo, as organizações político-midiáticas, e o consórcio jurídico que dirigem a atual ofensiva? Ilusão, irresponsabilidade ou algo ainda pior?

Outra parte mais comedida, propõe eleições gerais. Já discuti como a inexistência de revogação do mandato é perniciosamente funcional. Durante as eleições os candidatos-mercadoria enganam o povo tranquilamente, pois têm a garantia de 4 anos de mandato irrevogável. Foi o que ocorreu na reeleição de FHC e, mais recentemente, no novo estelionato eleitoral de Dilma. Mas, francamente, o povo que vai pra rua pelo impeachment não está querendo afastar Dilma pelas promessas progressistas de sua campanha. Alguém acredita que em novas eleições agora haverá espaço para o avanço de candidaturas mais populares? Sem a constituição de um mecanismo permanente de revogação de mandato, as eleições gerais servirão para algo mais conservador e antipopular com o agravante de estar legitimado em uma vitória eleitoral recente.

“Nós conquistamos a democracia e voltamos pra casa. Achamos que já havíamos dado a nossa contribuição, que podíamos descansar.”

Se o impeachment for derrotado não pode haver dúvidas: a vitória foi militante. Não veio de governo, partido ou lideranças. Essa ação militante, desde a base, fez o povo perceber: o que virá depois será bem pior. Será uma vitória militante, mas incompleta.

É verdade que Lula, mesmo no ápice de seus 80% de aprovação nunca convocou o povo para uma reforma que atacasse o poder da Casa Grande brasileira. Mas também é verdade que a maior parte do povo se mantinha confortável e confiante que seu governo continuaria promovendo melhorias graduais, o consumismo de baixo perfil e endividado, e nunca exigiu que suas lideranças eleitas avançassem para além dos marcos da dependência. Ocorrerá o mesmo novamente? Vencida uma nova batalha, voltarão todas e todos para o imobilismo?

O grande desafio pós-impeachment (vençamos ou não) será defender com ainda mais gana, organização e mobilização as nossas riquezas minerais, o nosso petróleo, nossos direitos sociais e trabalhistas. Ou então teremos lutado para manter um governo que fará em seguida o mesmo que fez após as últimas eleições: uma nova rodada de conciliações, entreguismos e ataques ao povo. Definitivamente, o que está em jogo não é apenas um governo, mas os grandes interesses populares e nacionais.

 

vitor br em 5

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