Lula, escute os funkeiros, escute Mc Galo!

Por Gabriel Siqueira

Pra quem não conhece o funk

É com muito prazer

Que eu me apresento agora pra você.

Eu sou a voz do morro

O grito da Favela

Sou a liberdade em becos e vielas.

Sou da sua raça, sou da sua cor,

Sou o som da massa, sou o funk eu sou.

(MC  Galo e Dollores)

 

Prezado presidente,

São tempos difíceis, mas nunca deixa de ser tempo de aprender. Hoje, gostaria de contar a história do primeiro Mc de funk do Rio de Janeiro. A história de Everaldo Almeida também conhecido como Mc Galo desde 1989, ganhador do Festival de Rap realizado pela equipe Cash Box com Rap da Rocinha[1], nome mais conhecido e respeitado do funk carioca é a que pode nos dar uma lição. Embora, hoje, Mc Galo faça show e toque num circuito paralelo do funk da cidade, ou seja, continua tocando nas rádios comunitárias e nas favelas, principalmente.

Contudo, poucos Mc´s têm o respeito entre tantas vertentes, estilos e épocas do funk como Galo. Alguns Mc´s da chamada nova geração o chamaram de Rei Galo da Rocinha. E Galo respondeu:

“Voltei da antiga, voltei

Voltei, na favela eu sou rei”[2]

O fenômeno que hoje é conhecido como “funk da antiga” foi excluído dos principais veículos de comunicação por inúmeros motivos, sobretudo pelo fato de ainda preservar um caráter de denúncia às injustiças sociais, além de referenciar suas letras pela realidade dura das favelas. Coisas que o sistema não quer mais ouvir.

Mc Galo foi preso em 2011, com ele mais alguns MC´s foram pra cadeia pelo suposto crime de “apologia ao crime”, na prática, mais um capítulo da criminalização da cultura popular. Com apoio de organizações de favelas e de juristas renomados como professor Nilo Batista muitos foram sendo absolvidos. Não houve condução coercitiva para Mc Galo, houve cadeia mesmo, tranca dura, xadrez. Tudo isso sem provas, Presidente.

Os funkeiros e favelados sabem muito o que é ser condenado sem provas, além da condenação, um linchamento da mídia. Alguns jornalistas disseram que Galo era um Mc do mal, mas Galo não abaixou a cabeça. Reafirmou seu funk e disse que cada artista cantava sua realidade, portanto ele não poderia falar de amor, dinheiro ou joias, morando na Rocinha e na Cruzada São Sebastião. Os funkeiros continuam, mantêm as letras baseadas na realidade e com muita crítica social. Nunca deixaram de se organizar, e não renunciaram suas raízes, esperamos que o governo faça o mesmo.

O movimento funk fez o maior e mais popular ato do Rio de Janeiro puxado pela Equipe Furacão 2000 junto com as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Sim, os funkeiros, Presidente. Embora, muitos de nós das favelas e do funk não tenham noção da sacanagem que está em curso, pois se soubessem não seriam apenas 50.000 pessoas, mas pelo menos 1 milhão na orla de Copacabana. Mesmo sem televisão e rádio, convocamos apenas pela página da Agência de Notícias das Favelas (ANF)[3] e causamos!

Amamos Chico Buarque, presidente. Jamais deixaremos de reverenciar um dos maiores músicos da MPB, mas hoje a luta pede ajuda ao movimento funk que arrasta as multidões que o governo dito dos trabalhadores, pelos erros que cometeu, não consegue mais puxar.

Saudações do movimento funk

Chega de Golpes

[1] Mc Galo em entrevista no TV FAFERJ – https://www.youtube.com/watch?v=dwD73svpNOM

[2] https://www.youtube.com/watch?v=9_cGtufI3qo

[3] https://www.facebook.com/agenciadenoticiasdasfavelas/?fref=ts

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