Em defesa do Brasil: Por uma saída popular para a crise!

Por Sammer Siman

O golpe de Estado no Brasil, ao que tudo indica, está prestes a ser consumado. No que depender do Senado sua confirmação se dará na próxima quarta, dia 11 de maio, mas o dia de hoje (9 de maio) mostrou que “a zoeira não tem limites”, a decisão de Renan Calheiros de ignorar a decisão do presidente da câmara Waldir Maranhão de anular o impeachment foi mais uma demonstração de que a lei é um mero acessório retórico no golpe em curso.

No entanto, se existe uma vítima nessa história, ela não é o Partido dos Trabalhadores. A propósito, as condições ideais para a ofensiva da direita odiosa começou a ser dada pelo próprio partido, logo depois que Dilma foi reeleita por um voto popular que decididamente rejeitou a plataforma privatista e neoliberal de Aécio Neves. E, como resposta, o governo elevou Kátia Abreu à ministra do agrobusiness, colocou um banqueiro no comando da economia e botou a conta da crise no lombo do trabalhador, especialmente com os malditos ajustes.

É frágil a tese de que a urna é garantidora de legitimidade, dizer que os 54 milhões de votos deveriam garantir Dilma ad eterno é uma balela. A legitimidade é conferida no cotidiano da política e o governo foi o principal responsável por perder seu lastro a cada medida antipática ao povo, a cada afago para a Casa Grande que hoje se volta com todo ódio contra seu governo, com direito a grampo presidencial em rede nacional, investigação seletiva e ameaça constante de prisão a uns, em detrimento de outros.

No entanto, o mimimi golpista está com seus dias contados. Pois a ampla aliança para a derrubada do governo (que envolve partidos nada ilibados como PMDB e PSDB, Rede GOLPE de Televisão, FIESP, setores do judiciário e do ministério público, sem falar das multinacionais do petróleo como a norte-americana Chevron e ainda de centrais de trabalhadores pelegas como a Força Sindical) fez, a todo momento, uma promessa para as massas trabalhadora brasileiras: a queda do governo será o primeiro passo para saída da crise econômica.

Essa promessa é falsa e vem recheada de cinismo. Aqui e acolá começa a surgir a velha cantilena de que “os trabalhadores terão que ter paciência”, que terão que “fazer sacrifícios”, pois para sair da crise deverá ser adotada medidas “duras”. E é justamente aí que reside o “ié ié, glu, glu”…a “pegadinha do malandro” dos golpistas, a velha promessa do “futuro por vir”: Suas medidas só servirão para aprofundar a crise, pois o que está na agenda dos golpistas é a retirada de direitos (como a reforma da previdência), privatizações (a Petrobrás e o pré-sal estão na mira!), bem como a preservação dos velhos privilégios, como o corrupto sistema da dívida pública e a manutenção de um sistema tributário regressivo e concentrador de riqueza, tudo isso expresso na proposta de Michel Temer em sua ponte para o inferno!!

O impasse brasileiro é que não existe nenhuma saída real para a crise colocada neste momento. O que está colocado é uma disputa entre a manutenção de um governo fraco, com baixa capacidade de iniciativa, e o governo biônico e impopular de Michel Temer que promete nos levar a passos largos para o passado. Independente do desfecho, seguimos com a tarefa de construir uma linha de defesa que coloque o povo brasileiro em movimento, como a recente iniciativa das Brigadas Em defesa do Brasil que propõe pelo menos cinco pontos para tirar o Brasil da crise, a exemplo da auditoria da dívida pública, da taxação das grandes fortunas, da defesa da Petrobrás e de um programa de emprego garantido. A propósito, para evitar o retorno ao passado devemos mobilizar a esperança de nossa gente e seguir em busca do sonho de construção de uma pátria que ainda há de ser livre!

#chegadegolpes

#emdefesadobrasil

#porumasaidapopularparacrise

BDB

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Um comentário sobre “Em defesa do Brasil: Por uma saída popular para a crise!

  1. Nosotros Aun 11/05/2016 / 03:44

    A culpa é dela

    SÃO PAULO – Se não surgirem novas surpresas de última hora, dentro de algumas horas Dilma Rousseff deve ser afastada temporariamente do cargo de presidente da República. As chances de que seja absolvida pelo Senado e volte são remotas. Será o segundo impeachment presidencial no Brasil em um quarto de século e porá fim a um ciclo de 13 anos de governos petistas.

    Dilma cai por causa de sua própria incompetência. Investiu numa política econômica errada e, quando percebeu que ela não produziria os efeitos esperados, em vez de recuar e tentar reparar os danos, resolveu dobrar a aposta com o objetivo de vencer o pleito de 2014. Perpetrou, assim, o maior estelionato eleitoral da história recente do país.

    Acreditou que, reeleita, teria condições de arrumar a casa, mas não foi o que aconteceu. As mentiras da campanha criaram um ambiente tóxico. Quando ela tentou a saída pela ortodoxia econômica, foi boicotada pelo próprio PT e não pôde contar com o apoio dos partidos ideologicamente identificados com as propostas do ex-ministro Joaquim Levy. Depois, esboçou uma guinada à esquerda, mas já era tarde. Seu governo, desgastado pela pior recessão da história do país e a cada dia mais impopular, caíra em total descrédito.

    O noticiário policial, que revelou a participação de petistas graúdos em esquemas permanentes de corrupção, tirou do PT até o discurso moral pelo qual se notabilizara em seus primórdios. O partido que não roubava nem deixava roubar havia se convertido numa franquia da propina.

    A tripla crise —política, econômica e ética— acabou selando o destino de Dilma, que não conseguiu mobilizar nem sequer 1/3 dos deputados para salvar seu mandato.

    O PT deverá receber agora um longo gelo do eleitor, mas espera-se que sobreviva, faça a autocrítica e se reerga em bases melhores. O Brasil, como toda democracia, precisa de um partido de massas mais à esquerda.

    Hélio Schwartsman – 11/05/2016

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