O Estado de Exceção em curso e o papel das eleições municipais na Resistência ao Golpe

Por Sammer Siman

Ver o Faustão pagar um sabão no Temer em plena Rede Globo no último dia 25 de setembro e ver o Ministro do STF Ricardo Lewandowski dizer no último dia 26 que o impeachmet de Dilma foi um “tropeço na democracia” pode soar como um suspiro de autocrítica a partir das principais instituições que patrocinaram o Golpe de Estado no Brasil e conduziram à presidência da República o mordomo do diabo Michel Temer.

No entanto, uma análise mais atenta revela que, na prática, o Estado de exceção segue a pleno vapor. Para além das declarações retóricas e do mimimi de alguns globais e juristas de alta patente as instituições seguem endurecendo naquilo é central: A defesa da concentração fundiária e a escalada da violência do regime político.

Dois exemplos revelam isso: No último dia 28 o Tribunal de Justiça de Minas Gerais derrubou o mandato de segurança que impedia o despejo das 8 mil famílias das ocupações urbanas da Izidora, em Belo Horizonte. E o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou, no último dia 27, todos os júris que julgaram os policiais que executaram o massacre do Carandiru, em 1992, ao assassinarem 111 presos. Ou seja, em seu conteúdo material, o Estado por meio de seu órgão mais poderoso (o judiciário) disse que lugar de pobre é na rua e na cova e que a riqueza seguirá concentrada nas mãos de alguns e, para tanto, toda violência será permitida.

De outra parte, o governo dirigido pelos sociopatas Michel Temer e Henrique Meirelles insiste que a prioridade é a aprovação da PEC 241 (com direito a elogios do FMI), ou seja, a prioridade é congelar por 20 anos os gastos com saúde e educação e aumentar a margem de apropriação do rentismo e, de quebra, a tragédia do povo brasileiro. A isso se soma a entrega do pré-sal pros gringos, o que seria a concretização de uma nova rodada de neoliberalismo radical, o mesmo que coloca o mundo de cabelo em pé com a possibilidade do tal “fenômeno” Trump tornar-se presidente do EUA. Fato é que de “fenômeno” Trump não tem nada, pois ele nada mais faz do que navegar sobre a insatisfação de uma população que se volta contra a tal globalização que desmonta os Estados nacionais e sucumbe amplas massas ao empobrecimento, incluso nas terras do Tio Sam. Trump é, portanto, uma expressão do mundo real.

Enquanto isso, o fantasma da Nova República morta em 31 de agosto com o golpe de estado assombra as eleições municipais do Brasil. Seria cômico se não fosse trágico ver partidos golpistas na liderança das principais capitais do país sob a velha cantilena de prometer saúde e educação para o povo da periferia enquanto, no congresso nacional, tramam contra a saúde e a educação do povo, como na aprovação que se pretende da PEC 241. Exemplo mais caricato é o playboy João Dória, que só entende de business e de pegar boquinha com dinheiro público e agora resolveu pagar de trabalhador perante o povo de São Paulo. Já no pólo anti-golpista, resistem algumas candidaturas que denunciam o modelo excludente que impera nas cidades e as consequências da agenda de retirada de direitos e do ajuste fiscal para o povo.

As eleições municipais não podem ser subestimadas. No Rio, um provável segundo turno entre Marcelo Freixo e Crivella seria um soco no estômago, a um só tempo, do PMDB e da Rede Globo, duas forças ativas do golpe. Em São Paulo, a expressiva queda de Marta Suplicy e seu vice André Matarazzo reduz, a um só tempo, as pretensões de Michel Temer e José Serra, patronos de Marta e Matarazzo, respectivamente. A possibilidade de se eleger prefeituras do PSOL em lugares como Belém, Cuiabá e até mesmo Florianópolis tira o sono dos golpistas, pois criam trincheiras avançadas de um partido que dialoga ativamente com as forças vivas da juventude e dos movimentos sociais que estão desejosos por jogar uma pá de cal na velha república de Aécio’s, Jucá’s, Calheiros e Calhordas e de abrir um tempo de renovação da política, a exemplo da pulsante experiência coletiva que vive hoje BH a partir da candidatura coletiva do MUITAS ou da pulsante unidade de forças populares e do Movimento Negro em torno da candidatura de Douglas Belchior para vereador em São Paulo.

Mesmo se tudo estivesse perdido, restaria a nós lutar. Contra o estado de exceção não cabe vacilação, cada terreno deve ser ocupado e no dia 2 de outubro devemos tomar as urnas contra as forças do golpe e em busca de trincheiras avançadas da resistência.

maringoni-charge-juiz

Charge de Gilberto Maringoni

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