PORQUE HOJE SOMOS MUITOS(AS)!

Por Sammer Siman

Inquestionável o fato de termos – enquanto campo político que combateu o Golpe de Estado no Brasil – sofrido uma derrota acachapante nas eleições municipais. Num primeiro olhar as boas notícias foram poucas, talvez a mais expressiva delas foi a derrota do golpista MOR Aécio Neves em Belo Horizonte a partir da derrota de seu pupilo João Leite, carinhosamente apelidado de “John Milk” pelos belorizontinos. E mesmo assim trata-se de uma “meia boa notícia”, pois o vencedor foi Alexandre Kalil, que tem um currículo digno de nota frente ao Clube Atlético Mineiro, mas propósitos duvidosos frente a Prefeitura de BH dado seu caráter de classe ultra-conservador.

No entanto, nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, como diria Lulu Santos. Uma afirmação poética, profética e seguramente um tanto óbvia, mas que ajuda a refletir os termos em que nos encontramos no atual momento da vida política do país. Estamos diante de um Golpe de Estado que endurece a passos galopantes, mas a resistência e a elevação da consciência política do país caminha a galope também, assim como a ação política que tem seu maior exemplo na OCUPAÇÃO de mais de 1.000 escolas, 80 Universidades e Institutos Federais.

Antes de junho de 2013 a política era assunto de poucos, era um “fenômeno” que surgia mecanicamente de dois em dois anos, no período eleitoral. Essa realidade mudou radicalmente desde então, no bar ou no ônibus o papo sobre política já não é mais assunto de alguns, eis uma realidade contagiante e, provavelmente, irreversível, dado o caráter prolongado que promete ter a crise brasileira.

Há bem pouco tempo atrás, uma PEC (Proposta de Emenda a Constituição) era “papo de sindicalista”, amplas camadas dos trabalhadores e da juventude que hoje se movimentam e se indignam contra a PEC 241 (55 no senado) que promete acabar com os serviços públicos no Brasil tomam hoje para si a pauta da câmara e do Senado, os CANALHAS já não se movimentam sozinhos sem o olhar atento de parcelas crescentes da sociedade.

Indo ainda mais além, o modelo econômico dependente e regressivo da economia brasileira era motivo de debate na Universidade, e olhe lá! Isso faz bem pouco tempo. Hoje, mais precisamente, 1 ano após o Crime da Samarco que celebra um marco de impunidade no próximo dia 5 de novembro, está evidente as “veias abertas” do Brasil, que há muito tempo era sentida por povos do norte e do nordeste do país a partir de aberrações como a Usina de Belo Monte, ou por alguns atingidos por mega-empreendimentos em outras partes do país, a exemplo dos atingidos pela mineração em Minas Gerais. Hoje, está evidente que vivemos sob um modelo de LAMA, ainda que alternativas econômicas a esse modelo não se traduzam em propostas políticas mais robustas neste momento.

Sim, perdemos, é verdade. Mas é verdade também que nem tudo está perdido. O que estamos vivendo é o fim de um ciclo político, em que o pacto constitucional que vigorou desde 1988 foi rompido por uma classe política e econômica intolerante, anti-popular e anti-nacional que não tem projeto de Brasil, a não ser seguir submetendo mais e mais nosso povo e nossa economia aos ditames dos interesses do imperialismo, que tenta desesperadamente encontrar no sequestro do pré-sal brasileiro e no aumento da superexploração do povo trabalhador um “fio de navalha” para repor os seus lucros.

Nosso desafio está dado. A unidade do campo popular disposto a refundar a República é um imperativo da conjuntura e sua concretização não se dará a partir de arranjos abstratos (como a simples soma de partido A ou B), mas sim a partir de ações decididas de resistência: a partir de GREVES, OCUPAÇÕES e todo tipo de ação e comunicação que sirva para derrotar a agenda dos golpistas, a exemplo da PEC do FIM DOS SERVIÇOS PÚBLICOS que agora tramita no Senado como PEC 55, ou a exemplo da Terceirização que poderá ser legalizada pelo STF em julgamento já marcado pro dia 9 de novembro. A propósito, o judiciário entrou de vez no terreno da política e quando o assunto é arrebentar com os direitos do povo ele não tergiversa, ele assume o papel do legislador sem dó e nem piedade.

Sim, é verdade que perdemos no terreno institucional, mas é verdade também que SOMOS MUITO(AS) e estamos cada vez mais dispostos a decidir nosso futuro, e quando um povo toma para si seu destino ninguém segura, o amanhã tornar-se, irremediavelmente, Maior!

freixo-30-de-outubro

Obs: Foto de Marcelo Freixo e Luciana após o resultado eleitoral no Rio, uma cena impensável em eleições passadas, uma candidatura que perdeu nas urnas mobilizar tanta gente e com a promessa de disputar os rumos da cidade, independente do calendário eleitoral.

Obs 2: A alusão ao MUITOS(AS) no texto assume também o caráter de referenciar a iniciativa de candidaturas coletivas em BH que elegeu duas vereadoras pelo PSOL, sendo uma delas Áurea Carolina, vereadora mais votada da história da cidade. As Brigadas Populares foram parte desse esforço coletivo.

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