Táxi.Rio, o contraponto ao processo de uberização

por João Claudio Platenik Pitillo*

Irmanados aos taxistas do mundo todo que sofrem e lutam contra o processo predatório da uberização estão os táxis da cidade do Rio de Janeiro, popularmente conhecidos como “amarelinhos”. Têm esses taxistas travado uma luta sem quartel contra a omissão golpista do Judiciário e a falta de visão estratégica do Executivo. Essa nobre e centenária profissão é vital para o transporte individual de qualquer cidade, sendo o taxista um agente informal da municipalidade, já que seu conhecimento geográfico permite aos passageiros trafegar de forma rápida e segura por uma complicada cidade chamada Rio de Janeiro.

O avanço dos aplicativos que antes ameaçavam somente os taxistas, demonstra a sua face predatória em direção a outras profissões, como os profissionais de hotelaria (airbnb) e de corretagem imobiliária (Quinto Andar). Com tudo, a vanguarda da luta contra mais essa artimanha do neoliberalismo ainda está no movimento sindical taxista. Pelo mundo a fora, os taxistas têm denunciado que o processo de uberização não é uma luta particular do táxi contra os aplicativos, tampouco uma briga por mercado e preço, mas sim, um grande embate contra o capital privado de cunho predatório, já que esses aplicativos impõem um trabalho precarizado aos seus motoristas, ao mesmo tempo em que comprometem a mobilidade urbana.

Os aplicativos, que no primeiro momento parecem fazer parte do “admirável mundo novo”, produzem um ônus perigoso para os países em desenvolvimento, já que ignoram as leis trabalhistas e promovem uma violenta evasão de divisas; além é claro, do controle e mapeamento de dados de seus usuários. Nesse caso, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, está cobrando da empresa Uber sobre o roubo de dados de milhões de brasileiros.1 Podemos notar que todas as operações desses aplicativos em nosso país estão em desacordo com a nossa Constituição Federal e colocam em risco a população.

Na Contramão da Pirataria

No dia 5 de fevereiro, o Prefeito Marcelo Crivella e técnicos do IPLAN-RIO (Empresa Municipal de Informática), anunciaram os números do aplicativo público de táxis (Táxi.Rio). Em três meses de operação, o aplicativo já foi responsável por 213.646 corridas, distribuídas pelos mais de 14.000 motoristas cadastrados2. O sucesso dessa iniciativa reside na avaliação dada aos motoristas pelos usuários, onde a média alcançou 4,84 (nota máxima é 5,0). Classificações elevadas irão garantir aos taxistas privilégios em pontos de eventos pela Cidade, incentivando assim a prestação de um bom serviço.

O taxista da cidade do Rio de Janeiro deve comemorar essa iniciativa inovadora, entretanto, deve perceber que o aplicativo é mais do que uma ferramenta de trabalho, é uma proposta de defesa da profissão. O profissional taxista deve aderir em peso a esse projeto (são aproximadamente 35.000 táxis na cidade), precisa organizar o seu sindicato, para que o mesmo possa ajudar na gerência dessa ferramenta, tornando-a um canal direto entre a Prefeitura e o táxi. O aplicativo público tem tudo para se tornar uma tendência em todo Brasil, onde o passageiro poderá, ao toque de seus dedos, andar em um serviço legal, prestado por um profissional e que recolhe tributos para os cofres públicos, ao invés dos aplicativos piratas que destinam os seus lucros para as suas matrizes que ficam em terras estrangeiras.

Andar Rápido pela Esquerda

O taxista precisa que o aplicativo Táxi.Rio avance em qualidade e variedade, para que se torne uma tendência e caia no gosto popular, o Táxi.Rio precisa operar na plenitude dos recursos disponíveis da tecnologia atual. É proeminente que a versão para IOS comece a operar; que os meios de pagamentos eletrônicos (cartões), assim como os vouchers (empresas) estejam disponíveis para os usuários; que os taxistas possam ter uma linha direta com a SMTR (Secretaria Municipal de Transportes) via aplicativo; que o aplicativo esteja conectado com a Sala de Operações da Prefeitura e transmita ao taxista informes do tempo e do trânsito sobre o local que ele estiver, via geolocalização. O aplicativo deve ser usado para realizar um grande recadastramento dos táxis na Cidade, assim como, permitir que o taxista informe em tempo real à Prefeitura os problemas da Cidade, tornando esse profissional um fiscal da postura municipal.

Em fim, o aplicativo Táxi.Rio é bem-vindo, desde que continue inteiramente estatal e que promova a modernização e ampliação do serviço de táxi na Cidade, sem esquecer, é claro, da formação e qualificação do profissional taxista. O profissional taxista precisa saber de seus direitos e deveres, isso através de campanhas educativas e não só punitivas.

Nesse momento o taxista da cidade do Rio de Janeiro tem um grande aliado no combate ao processo de uberização. Que bem gerenciado e plenamente aplicado, o Táxi.Rio torne-se uma ferramenta tecnológica na luta contra o neoliberalismo e em defesa do nacionalismo.

*João Claudio Platenik Pitillo é Pesquisador do NUCLEAS-UERJ. Doutorando em História Social pela UNIRIO.

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