Começou a revolução no Brasil. E agora?

por Jones Manoel*

Vamos imaginar. Começa hoje uma revolução no Brasil.

Não somos autossuficientes na produção de alimentos e iriamos sofrer boicote e bloqueio. Teria fome.

Várias hidroelétricas, usinas de energias e distribuidoras estão nas mãos de empresas estrangeiras e o risco de apagão é altíssimo. Provavelmente, por algum tempo, viveríamos com falta temporária de energia elétrica.

Não somos autossuficientes na produção de máquinas e equipamentos, material cirúrgico e fármacos. Sofreríamos bloqueio e boicote. A categoria médica em grande parte seria base da contrarrevolução e de imediato faltaria atenção médica.

Todo nosso setor de telecomunicações é processado e controlado por monopólios estrangeiros. Internet idem. Teríamos restrição de acesso e política de censura aberta dos grandes monopólios.

Não somos autossuficientes em derivados do petróleo (como gasolina e diesel) e vários insumos da produção industrial e agrícola. Com os bloqueios, boicotes e sabotagens teríamos, de início, um colapso produtivo.

Serviços básicos como transporte, fornecimento de energia, saúde, segurança, transporte aéreo etc. teriam extrema dificuldade para funcionar normalmente.

Por algum motivo que só Deus tem o poder de explicar – talvez nem ele – quando se fala em luta de classe se esquece que a burguesia e o imperialismo fazem coisas como sabotagem, bloqueios, restrições de produtos, greve de produção, greve de investimento, fuga de capitais etc.

Alguns militantes, ao que parecem, imaginam um processo de aguçamento da luta de classe onde a classe trabalhadora avança politicamente e tudo continua funcionando bem de maneira estável e próspera. Uma versão da transição tranquila e feliz ao socialismo com todo mundo cantando John Lennon.

Por isso tem tanta dificuldade em entender o que se passa na Venezuela. Por isso nunca entenderam o Chile e a Nicarágua. Por isso não entendem nada com nada.

No fundo, e não é nem tão fundo assim, é o velho desejo pequeno-burguês de “mudar o mundo” sem que o shopping, a peça de teatro pseudo-crítica, o trânsito, o show de música “de protesto” e o chuveiro quente deixem de funcionar.

E ainda se declaram marxistas.

“A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra.” Mao Tsé-Tung

* Jones Manoel é militante da UJC (União da Juventude Comunista).

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