Resultado eleitoral aprofunda o “grande pacto pela salvação nacional”

Por Edemilson Paraná
 
Na economia, a marcha do austericídio tupiniquim se aprofunda. Enquanto alguns indicadores de curto prazo podem, eventualmente, apontar uma aparente melhora, o avanço do desemprego, as já antigas debilidades estruturais/produtivas, a desindustrialização, regressão tecnológica e financeirização acelerada de tudo mostram sua face. Com a arrecadação em queda, também por conta das medidas regressivas, o déficit e o constrangimento orçamentário não dão trégua. E aqui, o PIB encontra o “social”: privatizações, concessões, venda e entrega de ativos e bens públicos aprofundam este caminho – ademais seguido pela queda do salário real, pelo desmonte dos direitos trabalhistas, dos serviços básicos de saúde, educação, saneamento, transporte e infraestrutura urbana. Estrangulados estão, estrangulados continuarão, sob o tacão da PEC 241 – em um dos países mais violentos e desiguais do planeta. Difícil imaginar qual será a margem para políticas publicas localizadas, municipalizadas, nesse cenário.
 
Na (anti) política que também ganha força em períodos como esse, o populismo conservador (de face religiosa ou não) avança a passos largos. O cenário pós-lava-jato e pós-impedimento o consolida de parte a parte. Nosso Trump venceu em primeiro turno na cidade mais populosa do país, mas algo não muito diferente vem acontecendo no Brasil profundo. No mundo jurídico-institucional, o punitivismo rasteiro e truculento, com ranços de exceção, avança na mesma toada: enquanto a corrupção, sob ação dos mesmos de outrora, ganha contornos ainda mais profissionalizados, o país que exigiu seu fim parece aplaudir – em partes porque saciado com a criminalização do dissenso político – relativamente satisfeito.
 
Na esfera da opinião pública-midática, um semi-consenso latente em torno da aniquilação de qualquer coisa que se reivindique de esquerda nos distintos espaços da vida social vai ganhando terreno num caldo estranho e temerário de ódio político.
 
Ganham o rentismo em suas distintas matizes, e alguns setores do empresariado (especialmente aqueles mais beneficiados com o “barateamento” do trabalho que vem se dando). A escassez econômica, a descrença crescente na institucionalidade política e nos mecanismos de representação, e a fragmentação partidária acompanhada de esvaziamento ideológico das legendas, no entanto, aponta para um cenário que não será nada fácil para quem pretende gerir e administrar a seu favor o atual estado de coisas.
 
Uma esquerda “de resistência”, na contracorrente, representada sobretudo pelo PSOL, mostrou algum fôlego e crescimento em inúmeras cidades – ainda muito aquém do que pede a conjuntura, e sem conseguir canalizar a desidratação eleitoral do bloco PT-PCdoB. Destaque para o Rio de Janeiro, onde as chances reais de Marcelo Freixo, parecem apontar, em muitos aspectos, para uma situação que será nacionalmente elucidativa a respeito dos rumos da resistência democrática e progressista no próximo período, ou pelo menos do que resta de mais interessante nela.
 
Uma longa noite política parece se aproximar. A revolta que ganha corpo com a piora das condições de vida deve se apresentar aqui e ali, de modo imprevisível, fragmentado e, por hora, relativamente distante de qualquer conformação de uma nova alternativa política robusta à esquerda. O tempo será de dura resistência e, junto dela, um inescapável e urgente esforço de reinvenção e criação política por parte das esquerdas.
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Contra as simplificações: a crise política na opinião pública

Por Bernardo Rocha Carvalho*, em colaboração especial

Navegar no Facebook em tempos de crise tem sido uma experiência bastante reflexiva, já que ali parecemos estar ainda mais sujeitos à velocidade dos acontecimentos e à pressa das posições conflitantes em se imporem sobre as ideias adversárias. A polêmica recente gerada pela atitude de excluir ou não os contatos que curtem e compartilham os conteúdos da página do deputado Jair Bolsonaro é um importante exemplo. O pano de fundo dessa e de outras polêmicas geradas pela crise se compõe, em parte, pelo que a argentina Beatriz Sarlo** disse numa frase sutil: “O passado está na moda”. E, mais que isso, na crise o passado se revela como um campo de batalhas dos mais decisivos para o debate público. Posicionamo-nos, muitas vezes, a partir de uma interpretação do passado; de uma leitura da história recente do país.

E apesar do debate por meios virtuais e, portanto, mais rápidos, ser de fato uma novidade na história e na política, ele não se compõe apenas por elementos novos. Beatriz Sarlo, no mesmo texto, faz uma analogia da Argentina do final dos anos 1990, que começava a conseguir expor os traumas da ditadura militar, com as conclusões do historiador Robert Darnton sobre o que influía na opinião pública durante a Revolução Francesa: “Darnton diz que não foram as grandes obras de filosofia política, nem as intervenções de Voltaire, mais amenas, que chegaram ao povo que pouco depois derrotaria o absolutismo do Antigo Regime, mas sim obras menores, muitas vezes panfletos escandalosos repletos de acusações de corrupção sexual e moral […]”. Ou seja, guardadas as diferenças entre os tempos históricos, não é difícil fazer um paralelo com o Facebook e demais redes sociais, onde um “meme” substitui outro de modo incessante, em tentativas permanentes – e sem muitos critérios, basta notar a quantidade de notícias falsas – de mobilização geral.

As dinâmicas da opinião pública devem ser observadas em qualquer análise de conjuntura que se pretenda mais aprofundada, principalmente em tempos de crise. É claro que, de modo geral, a mídia de massas tenta conformar a opinião pública para uma posição específica, mas seu êxito nunca é total, há sempre margens significativas de inflexões para outras direções. Além disso, citando ainda outra expressão utilizada por Darnton, a opinião pública é um verdadeiro “feixe de contradições”; o que, porém, não deve ser considerado como algo prejudicial, ao menos por quem possui convicções democráticas sinceras. Reproduzir posicionamentos políticos excessivamente simplificados só interessa a quem não quer mudar a realidade social.

Esta deve ser uma reflexão especialmente importante para a esquerda, ou, ao menos, para a esquerda que queira influir na opinião pública, e não ficar apenas restrita a um diálogo entre seus pares. Por certo, nosso posicionamento deve ser de convicção contra o golpe dos oportunistas que pretendem se consolidar como titulares do poder político, visando tanto aprofundar a condição de subordinação do Brasil às nações centrais, como impossibilitar definitivamente a ampliação e mesmo a manutenção de direitos sociais, como os trabalhistas. Porém, a complexidade da situação em que nos encontramos exige ainda mais de nós. Ser de esquerda é também, como escreveu mais uma vez Beatriz Sarlo, “intervir no espaço público e na política. É refutar os pactos miméticos. É negar os acordos de cumplicidade e resignação”. É, portanto, ir muito além do que atuar para sustentar um governo como o do PT, que, para dizer o mínimo, segue obediente à agenda do mercado mundial e opta por ajustes econômicos que afetam decisivamente a vida material do povo.

*Aluno de mestrado em História na UFJF.

**As passagens aqui citadas encontram-se em textos do livro “Tempo Presente – Notas sobre a mudança de uma cultura”.

Querida esquerda, precisamos falar sobre nacionalismo

Querida esquerda brasileira,

chegamos em um ponto em que todos se dão conta que uma mudança em nossos rumos é necessária, mesmo que as alternativas sejam várias.

Vamos tocar num assunto que você não gosta de falar? Nacionalismo. Não faça careta, por favor. Não te incomoda esse monte de gente de verde e amarelo na rua, achando que é patriota? As mesmas pessoas que gritam aos quatro ventos que têm vergonha de ser brasileiro? Sim, incomoda. Mas vejamos, eles não são nossos verdadeiros inimigos. Sim, muitos ali são conservadores mesmo, mas tantos outros estão ali manipulados. E tomam como símbolo de sua manifestação aquilo que há de comum: são todos brasileiros.

O que me incomoda, e gostaria de dividir com você, é o fato de não utilizarmos os símbolos pátrios. Afinal, não somos também brasileiros? Não é sábio para um projeto político e social de massas, simplesmente deixar de graça para o inimigo uma ideologia que mexe com algo comum a todos, você não acha?

Sim, eu sei, a classe trabalhadora é internacional, Marx disse. Só que Marx também disse, no próprio Manifesto que “a luta do proletariado contra a burguesia, embora não seja na essência uma luta nacional, reveste-se dessa forma num primeiro momento”. Negar a nacionalidade e a influência que ela tem sobre as pessoas é querer negar a gravidade. Negar que o mundo está dividido em Estados-nação há séculos e achar que isso pode ser simplesmente jogado de lado é um erro colossal. Negar que é justamente a classe trabalhadora que carrega, nos seus genes, na sua produção diária e no seu patrimônio simbólico o ser brasileiro, é ser míope diante da realidade.

Numa rápida análise histórica, vemos que as revoluções socialistas ocorreram, na sua grande maioria, em países da periferia do sistema. Onde a causa da libertação nacional do colonialismo e do imperialismo sempre esteve presente. Alguém negará o caráter nacionalista de Revoluções como a Cubana ou a Chinesa? De que Chávez só fez o que fez, porque aliou um projeto nacional à revolução social?

Quando se fala em Nação, se fala em nome de todos. É um discurso legitimador, pois brasileiros somos todos nós. Para além de bandeiras, e paleta de cores, as pessoas são brasileiras porque se sentem brasileiras e esse patrimônio coletivo não pode ser negado por projetos de transformações sociais.

Querida esquerda brasileira, sei que você passa por momentos difíceis. Mas sejamos otimistas e trabalhemos. Nas horas de crise é que aparecem as mais criativas soluções. Acreditamos na transformação como princípio, não é mesmo? A única certeza é que “tudo que é sólido desmancha no ar”.

De quem sinceramente continua acreditando em você,

Roberto Santana Santos

O maior problema não é o Cunha!

Por Rodrigo Santaella

Não há dúvidas de que Eduardo Cunha é um problema. Político tradicional, está mais preocupado com o crescimento de sua própria influência do que com o destino daqueles que o elegeram. Pior, é conservador nos valores e antidemocrático nos métodos e, na atual conjuntura, é um mestre em mobilizar cada uma de suas características nefastas para se utilizar da crise econômica e do desgaste do governo federal no intuito de fazer crescer sua influência e aprovar aquilo que bem entende. Os exemplos são conhecidos: manobrou como pôde para aprovar o financiamento empresarial nas campanhas e, na semana passada, usou a mesma tática para aprovar em primeiro turno na Câmara a redução da maioridade penal. A forma como atua, uma espécie de “dissimulação explícita”, e o conteúdo daquilo que defende, revoltam todos os que defendemos uma sociedade mais livre e socialmente justa.

O problema, entretanto, não é Eduardo Cunha! Podemos ver nossos principais problemas a partir dessa figura emblemática e caricatural, mas eles estão muito longe de se concentrarem nela. Ressalto aqui quatro aspectos. O primeiro se relaciona com o porquê de Cunha estar onde está, e quem ele representa: olhando para seus financiadores de campanha, fica claro que seu protagonismo na política se dá em nome de grandes corporações, empreiteiras e bancos. Está onde está e tem a força que tem porque representa interesses materiais concretos, de setores importantes da burguesia. Segundo, no campo dos valores, Cunha é um oportuno representante do crescimento da expressão do conservadorismo na política visto nos últimos anos no país. Atuando como uma espécie de populista dos valores (já que está longe de defender concessões materiais às massas), o deputado tem sua legitimidade reforçada por grande parte da população. Terceiro, Cunha é um exímio operador das regras da nossa democracia representativa: se passa dos limites, o faz apenas na medida “tolerada” pelo sistema democrático, e por isso não é parado (precisamos ver até quando). As manobras de Cunha e a impotência diante delas são sinais claros também dos limites de uma democracia representativa tão distante de sua base social.

Por fim, nós. A esquerda radical tem muita clareza das razões para ser contra a redução da maioridade penal, o financiamento empresarial de campanha ou as terceirizações. O que não temos claro é um projeto alternativo de país e de sociedade: sabemos o que queremos em longuíssimo prazo, mas temos pouca ideia do passo a passo. Isso nos cria muitas debilidades para construir um elemento fundamental da transformação radical: a construção, a partir dos de baixo, de novos valores e de um programa concreto.

O tamanho que tomou a figura de Cunha e as consequências disso expressam a força da burguesia na luta de classes, o crescimento do conservadorismo na sociedade, os limites de nossa democracia e a debilidade da esquerda como alternativa. Se consideramos que a luta de classes e a democracia não se resolverão sozinhas e que o conservadorismo cresce a partir de setores muito concretos, o que se destaca é nossa própria incapacidade de construir condições para a transformação. Se Cunha é um grande problema e temos que lutar para derrubá-lo, não podemos perder de vista o principal desafio da atual conjuntura, do qual somos parte central: superar a perplexidade pouco criativa da esquerda.

Eduardo Cunha

Os buracos de minhoca da esquerda

Por Sabrina Fernandes
(Conheça aqui nosso time de colunistas)

Uma jogada diferente com o “marxismo científico”

O filósofo marxista Leszek Kolakowski formula a Esquerda como uma característica, e assim argumenta que nenhuma organização poderá encorpá-la em totalidade, já que toda característica necessita de ser mediada de forma dialética por teoria e prática. Se considerarmos essa visão, entendemos que a característica se apresenta em diferentes intensidades no continuum ideológico da esquerda, porém não necessariamente de forma linear, do maior para o menor. A proposta de Kolakowski pode ser ilustrada por figuras de linguagem da astrofísica, em que o campo ideológico é maleável como o espaço-tempo e a característica (de Esquerda ou Direita) funciona como a gravidade.

A manifestação da característica se dá através de um espectro de diálogo e de projeto de intervenção na realidade, de forma que projetos colocados como inteiramente de esquerda podem apresentar buracos que, como na física do espaço-tempo, curvam o tecido da realidade a ponto de que uma política no campo de esquerda possa ser defendida da mesma forma que é feita no campo da direita. Essa junção opera como verdadeiros buracos de minhoca (wormholes, no original em inglês) político-ideológicos, em que duas realidades e políticas supostamente distintas se unem devido a equívocos na esquerda. Tanto na astrofísica quanto na política, wormholes encurtam trajetos. Como atalhos políticos, passam a impressão de grandes vitórias (ou da possibilidade delas) através do comprometimento de programas ou a secundarização de pautas tão necessárias quanto a central luta de classes para a transformação da totalidade. Wormholes não implicam em total capitulação, porém a adequação de um conjunto de práticas da esquerda para buscar e permanecer em uma trajetória de atalhos pode resultar em uma guinada sem volta.

Dentre os principais wormholes da esquerda estão:

Institucionalidade – desafio real para a esquerda na disputa por formas de intervenção social. Como atalho, carrega a esquerda para a direita, até porque o modelo instalado de democracia é o da democracia liberal burguesa.

Governismo – estágio mais avançado da institucionalidade, em que há uma transição da disputa pelo poder institucional para a manutenção do poder alcançado. O atalho é transformado em caminho principal (e permanente), aumentando a probabilidade de guinada radical.

Secundarização das opressões – enquanto parte da esquerda negar a importância da luta contra as opressões, alegando que a transformação central da realidade consiste simplesmente da tomada dos meios de produção para um sujeito revolucionário fixo, tanto o discurso quanto a prática dessa esquerda contribuirá para a reafirmação de uma totalidade opressora e o contínuo fortalecimento do capital através da violência e desapropriação das mulheres, negras e negros, LGBTs, imigrantes, e indígenas.

Punitivismo – o caminho tomado no combate às opressões é um atalho se revolve em torno da crescente criminalização dessas opressões, já que a ação é tipificada como crime, mas a criminalização é de pessoas (em especial as já marginalizadas e vulneráveis). Iremos encher cadeias construídas com o intuito de desumanizar e lucrar. O mesmo vale para o proibicionismo (por secundarização, falhas teóricas, ou conservadorismo moral).

Negacionismo produtivista – a defesa do trabalhador da indústria não pode ser o equivalente da defesa do trabalho industrial. A sustentabilidade de qualquer revolução está intrinsecamente ligada à sustentabilidade da vida na Terra. O negacionismo é um atalho para uma revolução mecânica, destrutiva, ineficaz, e fatal.

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Kolakowski, L. (1968). Toward a Marxist Humanism. New York: Grove Press.

A esquerda coerente precisa levar a corrupção a sério

Por Sabrina Fernandes
(Conheça aqui nosso time de colunistas)

Na tentativa de se separar da esquerda moderada e da desastrosa experiência do PT, o restante da esquerda busca trazer uma nova classificação, pois muitas vezes a menção de esquerda autêntica ou verdadeira não é suficiente. Surgem novos e velhos termos. Esquerda socialista (somos todos?); esquerda radical (nos separa dessa esquerda “da ordem”, mas o quanto o termo dialoga além dos nossos próprios círculos militantes e acadêmicos, ainda é incerto); e esquerda coerente. O interessante de se posicionar como esquerda coerente é que a coerência depende não somente da promoção de discursos e práticas alinhados, ao contrário da ambiguidade forjada pelo lulopetismo, mas também nos traz a necessidade de lidar diretamente com um dos problemas no centro da ultra-política e da crise de representação: a corrupção.

Ser coerente implica em uma série de valores e qualidades que precisam ser exercitados e aplicados no dia a dia, não apenas na oposição a um ataque a direitos trabalhistas ou sociais. É necessária uma práxis capaz de unificar a luta que fazemos nas ruas com o comportamento de cada militante em relação às bandeiras levantadas e a maneira como as organizações lidam com as falhas e desafios que no PT foram normalizadas ou empurradas para debaixo do tapete. E é justamente por isso que precisamos complementar nosso debate e ação sobre luta de classes, fim das opressões e demais, com posicionamentos concretos sobre a corrupção que vão além do “Fora todos os corruptos!” que apela para a mega-corrupção, mas frequentemente negligencia outras práticas corruptas na política.

A esquerda coerente precisa demonstrar de onde vem a corrupção e, principalmente, como pretende combatê-la externa e internamente. Não é suficiente apenas declarar que a corrupção é fruto do capital, quando experiências de esquerda já sofreram com esse problema mundialmente, devido à burocratização, personalismo, e outros, o que demonstra que forma e método podem sim fazer a diferença quanto aos valores forjados no interior da esquerda. O foco moralista na corrupção provindo de uma direita hipócrita não nos isenta de incluir a luta contra a corrupção como pauta prioritária. Além de ser um dos fatores que mais dialoga com a frustração geral da sociedade que hoje se expressa em uma falsa polarização, levar o problema da corrupção a sério significa também impor autocrítica contínua dentro das organizações de esquerda. Degenerações políticas de indivíduos ou grupos, fraudes congressuais, agressões e acordos insípidos dentro da esquerda devem ser tratados com o mesmo repúdio que dedicamos a tais práticas no PT e na direita, a ponto de possibilitar que a autocrítica nutra disciplina organizacional.

É insuficiente propor um projeto alternativo de sociedade, especialmente em um contexto de grande despolitização, sem a construção ativa, já de imediato, de novos valores sociais, políticos, e pessoais. Práticas éticas e autocrítica constante são elementos essenciais para impedir a reprodução por militantes de esquerda de formas de opressão e exploração implícitas no senso comum. Tanto a politização quanto a construção de uma práxis revolucionária dependem disso.